terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ETHOS

Algumas refelexões


A noção de ethos foi retomado a pouco (final dos anos 80) pelos analistas do discurso. Essa noção remonta aos retóricos antigos (como Aristóteles, que a entendiam como "o carater que o orador deve aparentar em seu discurso para se mostrar crível". Não o que ele é, mas o que ele aparenta ser: honesto, simpático, solidário etc. Oswald Ducrot assimila a noção à sua teoria polifônica da enunciação, mostrando que não se trata do elogio que o locutor possa fazer de si mesmo ("Eu sou honesto"), o que, pelo contrário, criaria uma imagem negativa, mas do seu modo de se portar, que está implicito no enunciado. É Dominique Maingueneau quem introduz o ethos nas preocupações da Análise do Discurso, já que todo texto traz um tom, o qual não pode escapar ao estudo do analista. Ruth Amossy, mais recentemente, nos mostra a amplitude da noção, que mesmo não sendo chamada por esse nome (ethos), está presente em estudos das diferentes ciências humanas. Seja na Sociologia da linguagem, de Pierre Bourdieu, ou na Linguística, de Émile Benveniste, ou na Nova Retórica, de Chaïme Perelman, dentre outros. O importante, segundo ela, é observar que "todo ato de tomar a palavra implica a construção de uma imagem de si", daqual nenhuma enunciação pode escapar. Mais recentemente, Patrick Charaudeau desenvolveu essa noção junto ao que ele denomina estratégias de discurso, um conceito central de sua Teoria Semiolinguística do Discurso. Nessa teoria, o conceito de ethos está ligado ao de credibilidade, já que não basta poder tomar a palavra, é necessário ser levado a sério.

Rosa Maria Olímpio

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