segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Nascer a cada Manhã.




“Um velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse. ‘Qual é o gosto?’ - perguntou o Mestre. ‘Ruim’ - disse o aprendiz. O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago. Então, o velho disse: ‘Beba um pouco dessa água’. Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou: ‘Qual é o gosto?’ O rapaz respondeu: ‘Bom!’ O Mestre tornou a perguntar: ‘E você sente gosto do sal?’ ‘Não’ - disse o jovem. O Mestre, então, sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse: ‘A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende aonde a colocamos. Por isso, quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é transformar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo. E torne-se um lago!’ ”

Autor desconhecido



Neste final de ano, e sempre, aproveitemos todas as oportunidades que tivermos para perdoar, pedir perdão ou declarar nosso amor. Como disse sabiamente o grande poeta Mário Quintana (1906-1994), “Não faças da tua vida um rascunho. Poderás não ter tempo de passá-la a limpo.”

Não é o erro que mais fere meu coração...


Ainda sonhamos? Onde estamos depositando nossos sonhos? Não é o erro que mais fere meu coração... O que dói é perceber que eu, e tantos outros seres humanos, não conseguimos enxergar que estamos falhando... Estamos deixando de sonhar.
Sonhar, para mim, tem tudo a ver com merecer a realização do meu sonho.
Sonhos... o que seriam os sonhos? No hebraico sonho quer dizer halam, ou seja, o Senhor nos dá sinais ou nos fala de coisas futuras, enquanto que no dicionário, sonho é desejar e almejar algo.
A verdade é que nos dias de hoje a vida está passando tão depressa, que se não separarmos um minuto para sonhar, deixaremos de acreditar que o sonho pode se tornar uma realidade.
Está mais que provado que o homem que não sonha é um homem morto, pois sonhar é muito bom e até hoje não encontrei alguém que não concordasse comigo.
Não existe neste mundo quem nunca sonhou acordado, olhando para o nada em pleno balburdio do dia a dia, com aquele olhar de peixe morto, distraído, imaginando um futuro cheio de ilusões mesclado de realidade.
Alguém se atreveria a afirmar que nunca ficou sonhando em como seria bom se as coisas acontecessem exatamente “ao vivo e a cores”, da forma como gostaríamos que fossem?
O Criador Maior já desenhou e permitiu que eu pudesse vivenciar sonhos que pareciam utópicos,quantas vezes fui presenteada pela relização de meus sonhos.Como sonhei... Sonhei e vivi uma história de amor, o nascimento de meus filhos, vê-los formados, casados e felizes. Sonhei e vivo a realização profissional.Execerço bem e com amor o ato de ensinar.E sempre sonhando acordada, planejando a minha realização, como na forma descrita em uma das músicas de Gilberto Gil que sentencia: “Eleve-se ao céu com seus pés no chão”.
Bem disse Charles Chaplin, “a vida me ensinou: a pedir perdão, a sonhar acordado, a acordar para realidade sempre que fosse necessário; a aproveitar cada instante de felicidade; a chorar de saudade; ensinou-me a ter olhos para ver e ouvir as estrelas, embora nem sempre consiga entendê-las; a ver o encanto do pôr-do-sol; a sentir a dor do adeus, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser; a não temer o futuro; ensinou-me e está me ensinando a aproveitar o presente, como um presente que eu mesmo tenho que lapidar ou escolher; sou feliz, amo minha vida, minha família, meus amigos, meu amor, meus colegas e meus rivais”.
Assim, vou continuar a sonhar mais um sonho impossível até torná-lo possível; vou continuar lutando, quando é mais fácil ceder; vencendo o inimigo invencível, negando a desilusão e a corrupção, quando a regra é vender a própria alma e o caráter, pois esta é minha lei, é minha questão, virar este mundo, cravar este chão. Será mesmo SONHO? Ou posso dizer que tenho FÉ?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Um sentido para existir.

















Estranhamente me vi pensando nos jovens e adolescentes que fizeram parte da construção do ser humano que hoje sou. Penso sempre se, de alguma forma, terei feito diferença na vida deles. Se consegui mudar o destino de alguns deles. Desejei mostrar-lhes um caminho, uma luz, uma saída! Um sentido para existir.
A leitura que fiz do filme: “Comer, Rezar, Amar,” foi relacionada não à minha experiência pessoal. Pensei nesses jovens que passaram pelas cadeiras das minhas salas de aula. A cada ano percebia um número maior de jovens desinteressados. Desesperanços. Estudar pra quê? Como se quisessem dizer: “Viver pra quê?” Ano após ano, sentia no olhar, e nas atitudes deles que estavam sem esperanças de que a vida pudesse melhorar. Daí muitos deles desleixavam nos estudos, demonstravam falta de interesse pela vida e não poucos acabaram resvalando para o uso de drogas.
Na verdade, atualmente esse estado de coisas é mais amplo e atinge jovens e adultos, de ambos os sexos, que necessitam de modelos que os levem a uma busca de sentido e de uma forma de vida mais significativa. O filme “Comer, Rezar, Amar”, baseado no livro autobiográfico da escritora americana Elizabeth Gilbert, conta sua história em busca de sentido para a sua vida após um divórcio, quando se sentiu vazia, desiludida e sem alegria de viver. Apesar de se tratar de situação semelhante à de muitas mulheres, o filme não chega a empolgar como modelo inspirador, devido à superficialidade dos personagens.
De fato, viajar e conhecer outras cidades e outras culturas é muito gratificante e enriquecedor. Mas, como ficam as pessoas que não podem viajar? Será que não conseguirão encontrar uma saída para suas aflições e a falta de alegria de viver?
Comer é uma necessidade do corpo como outras que precisam ser respeitadas e atendidas. E comer com satisfação, em boa companhia, com gratidão transbordante em alegria pelos frutos que a natureza nos oferece é majestoso, mas não podemos nos esquecer que garimpar obsessivamente pelas cozinhas e adegas não é a principal finalidade da vida.
Amar é o fundamento da nossa essência humana. Mas amar não é só o relacionamento sexual entre o homem e a mulher. Por isso, merece destaque a cena do filme em que Elizabeth, interpretada por Julia Roberts, afasta-se de um homem que tinha acabado de conhecer, o qual foi logo tirando a roupa na praia e oferecendo sexo, mas ela, mesmo estando só e deprimida, rejeitou a proposta do desconhecido, que representaria apenas um ato paliativo, sem sentimentos ou significado. O amor é uma das características que fazem o ser humano, incandescendo-o para atitudes de nobreza e heroísmo, elevando-o. No amor puro, há o desejo de poder fazer algo bem grande para o ser querido, sem ofendê-lo nem magoá-lo, mantendo viva a mais delicada consideração.
A trajetória da personagem no filme é inquietadora, originária da cultura em que “tempo é dinheiro”. Liz foi parar na Itália, onde em companhia de pessoas vazias, sem um querer definido, além de comer, dormir e se divertir, buscou experiências gastronômicas e diversão. Passou pela Índia e suas precariedades humanas, onde se esforçou para manter o silêncio. Indo a Bali, ela conversou sobre a vida com um simpático guru idoso e sem dentes, que recomendava a ela que sorrisse, com o rosto e todo o corpo, incluindo o importante fígado. Lá, ela se apaixonou e encontrou o seu atual marido brasileiro. No entanto, mesmo vivendo aventuras em diferentes países, a história não é contada de forma suficientemente envolvente, e o alongamento das cenas fez com que o público olhasse muito para o relógio e, no final, se levantasse rapidamente das cadeiras.
Apesar disso, observamos que Liz vivenciou boas experiências ao aprender a limpar a mente e reduzir os pensamentos inúteis, procurando sentir com clareza o seu querer mais íntimo. Como esclareceu Abrochem, na Mensagem do Graal, o querer interior é o grande poder inerente ao espírito. A força ou o movimento do querer é que exerce a atração da igual espécie.
Para fugir do desânimo e da depressão, os humanos precisam tornar suas vidas significativas, saber o que querem ter, ser, fazer, enfim, ter propósitos. Quando isso não é cultivado, surge o produto de massa, inculto e sem muito preparo para a vida, que se submete a todo tipo de manipulação externa em suas motivações.
Enfim, o rezar é um querer que vem do íntimo, é a busca pela Luz verdadeira, a iluminação, que fortalece e dá a esperança de que a melhora está a caminho e logo vai nos encontrar para reduzir as aflitivas condições em que nos envolvemos devido às nossas decisões ou omissões. Então, com paz e alegria, preencherão o nosso coração aflito.
Não fui omissa. Compreendo hoje, que aqueles jovens ajudaram-me a crescer. Ajudaram-me a promover o encontro comigo mesma.Minhas rezas, aliadas ao meu querer de iluminar o caminho daqueles jovens, fez acender dentro de mim,a luz.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

ÁGUA QUE CORRE LIMPINHA, LIMPINHA


Um dos requisitos para aprimorar nossa evolução espiritual é a assertividade. Essa palavra está ligada à “asserção”, que significa afirmação, alegação, asseveração. Simplificando, é o seguinte: ter um comportamento assertivo é você saber dizer “sim” quando quiser dizer “sim” e dizer “não”, sempre que necessário.
Neste campo, é preciso muito cuidado, porque há muitas pessoas que se denominam assertivas e autênticas, quando na verdade são agressivas, querendo o tempo todo impor suas ideias e seus conceitos.
A assertividade é característica de pessoas autoconfiantes, seguras da sua própria vontade, que sabem defender o seu lugar no mundo, sem agressividade ou prepotência.
Você sabe por que é tão difícil ser assertivo? Porque não foi isso que nós aprendemos , desde criança. Falando de forma generalizada, o que nós vivenciamos, ao longo de nossa vida, é que, para ser aceito pela família ou pela sociedade, precisamos concordar com tudo o que eles querem, ser um “bonzinho” para todos, porque, caso contrário, corremos o risco de perder a atenção destas pessoas. E, como é muito mais confortável balançar a cabeça afirmativamente, e não correr riscos, acabamos aceitando o que não queremos, para evitar brigas e “cara feia”.
Pois é, o lamentável é que a falta de assertividade pode conduzir as pessoas às doenças, porque “viver engasgado”, sem ter coragem de exteriorizar, o que pensamos e o que sentimos dói profundamente. As pessoas que agem assim funcionam como uma panela de pressão, chegando uma hora em que não suportam mais e suas emoções negativas se convertem em dores, doenças cardíacas ou outras, mais sérias ainda.
A falta de assertividade começa na infância, acompanhada pelo medo do abandono, e segue vida afora, afetando os relacionamentos afetivos e profissionais. A pessoa que não consegue, ou melhor, não escolhe exercer o seu direito de assertividade vai, aos poucos, tornando-se desmotivada, sem carisma, totalmente sem objetivos, porque não é capaz de saber o que realmente quer para si, deixando-se conduzir pela opinião daqueles que a cercam. É uma situação lamentável porque é grande o número de indivíduos cheios de talentos que se agarram a situações “mais ou menos” por medo da mudança, por receio de não serem aceitos se agirem diferente.
Procuremos em nossas lembranças as experiências em que conseguimos dizer “não” quando tivemos vontade e vamos perceber como nos sentimos bem e autoconfiantes, nesta situação.
Entretanto, tomemos cuidado: não estou dizendo aqui para negarmos tudo o que nos pedem e cultivar o egoísmo, e sim que aprendamos a escutar, com clareza, o nosso próprio coração.
Desenvolvamos em nós a capacidade de fazer escolhas pelos nossos próprios critérios, sem temer as críticas e as reclamações, e, principalmente, sejamos assertivos sem culpas. Guardemos bem: quanto mais praticarmos a assertividade, com diplomacia e sem agressividade, mais encantadores nos tornaremos, e, melhor ainda, serviremos de exemplo de autovalorização e autoconfiança para todas as pessoas ao nosso redor. Quero ser ÁGUA QUE CORRE LIMPINHA, LIMPINHA...matando a sede de quem está cansado de ser "cordeiro sofredor" ou de quem tem a língua afiada como faca em tempo de laranja madura, ou ainda de quem tem o coração cheio de fel e cada palavra que sai de seus lábios, escorre gotas de amargura.



Rosa Maria Olimpio

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sobre etapas vencídas
















Autora: Vera Lúcia Dias (Psicóloga)


Concluí, nesse final de semana passada, mais um curso de aprimoramento profissional, que durou exatamente o tempo de uma gestação. Foram nove meses convivendo com os expoentes nacionais da Tanatologia – ciência que estuda a morte.
Foram ao todo nove mil quilômetros rodados – Uberaba, São Paulo, Uberaba –, o suficiente para pensar e repensar a vida.
Éramos cinquenta participantes e, aproximadamente, cinquenta professores, vindos de diferentes lugares do Brasil e de diferentes fazeres. Psicólogos, médicos, engenheiros, músicos, arquitetos, jornalistas, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais, todos questionados por estarmos em um curso como esse. Aliás, mais que questionados, suspeitos de sermos portadores de alguma patologia, a de ter coragem de se interessar por um tema do qual todos se esquivam...
Fiquei a pensar, durante minha viagem de volta, na satisfação que experimentamos quando conseguimos cumprir uma tarefa para a qual nos propusemos e o quanto nos enriquecemos com isso. Lembrei-me que, um ano atrás, fazer um curso com Dr. Franklin Santana, na USP, era apenas um anelo, que abracei como um projeto para 2010, e concretizá-lo foi como saborear uma fruta madura.
Pensando em fruta madura, lembrei-me das estações do ano, de jabuticabas, mangas, uvas e morangos, de períodos e etapas que vamos cumprindo ao longo de nossa vida, cada um a seu tempo.
Pensando em tempo, lembrei-me de um texto bíblico que, em minha opinião, é um dos mais sábios. Tão sábio que foi escolhido como abertura da minha dissertação do Mestrado e do meu livro, que está para ser lançado. Ele fala que, debaixo do sol, há um tempo para tudo. Tempo pra unir e para separar. Tempo para costurar e tempo para rasgar. Tempo para semear e tempo para arrancar. Tempo para rir e para chorar. E muitos outros tempos contraditórios entre si.
Não precisamos ir longe para compreender essa alternância de estações. Quem nunca se surpreendeu com o sol claro após uma chuva forte? Quem nunca se alegrou com a madrugada que surge após uma noite difícil? Quem nunca se descobriu sorrindo novamente depois de uma daquelas perdas ou separações que parecem ter levado parte do nosso coração?
Debaixo desse sol não há tristeza e nem amargura que dure para sempre. Assim como as árvores se tornam novamente verdes e floridas depois de terem perdido suas folhas, nosso coração consegue cicatrizar as feridas mais profundas.
Aprender a enfrentar os tempos difíceis com valentia é uma arte. Principalmente se o fizermos sem lhes dar dimensões e durações exageradas, sem dramatizar, sem nos colocarmos na posição de vítimas, pois, afinal de contas, a vida não é, nunca foi e nunca será sinônimo de primavera infinda e os momentos penosos existem na vida de qualquer um.
Essa crônica é dedicada a todos aqueles que estão vivendo em momento de tempestade e não conseguem se lembrar dos dias de sol!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O amor


















Normalmente, os escritores escrevem para seus leitores. Em consequência, muita coisa escrita é pensada, elaborada, por vezes "floreada" para impressionar ou agradar ao leitor. A verdade verdadeira, aquela íntima e pessoal... fica lá dentro, guardada no tesouro de cada um.

Esta produção filosófica é de minha realidade e observação: eu mesma já escrevi crônicas consideradas interessantes e agradáveis, próprias para uma fase de minha vida e geração. Acontece que os anos passam... e como passam rápidos! Em consequência, a vida é também passageira. Eu e nós todos viajamos por uma estrada cheia de variedades, de surpresas, observações e aprendizados.

Tem gente simples no seu viver, a quem classifico como “rolos de arame farpado morro abaixo”. São pessoas de poucos sentimentos, desinteressadas e desatentas a tudo que não as afeta ou emociona. Sofrem poucas dores, mas aproveitam pouco as emoções e os amores. Quando “vão embora”, deixam pouca lembrança. Não vale escrever nada para elas.

Agora,porque vou chegando ao fim da minha experiência e idade, resolvi escrever esta crônica de revisão sobre o amor, que, apesar de tudo, ainda é a única coisa realmente de valor para a pessoa que tem alma, coração, sentimentos. No mais simples e primitivo, o prazer é a finalidade da existência, desde os animais até a espécie humana.

Começo dizendo que é mentira aquela história de que “eu vivo para os outros, meu prazer é distribuir felicidade...” Esta frase só vale e serve para quem recebe e dá amor, para quem está feliz com a vida. Em meus mais de 20 anos de sala de aula, assisti a todos os filmes das vidas humanas que por ali passaram. Sim, meu amigo, porque um professor não trata só da leitura e da escrita da palavra. Minha profissão tem tudo a ver com a escrita da hstória de vida de cada um de meus alunos. Cada qual a seu modo. Uma história de amor. História de falta de amor, de abandono, de banalização da palavra, tratando-a como sinônimo de paixão, sexo,(que fazem parte do amor, mas não é o amor).Professor de verdade não cuida só de conteúdo programático. À sua frente estão pessoas. Seres humanos, que tem sentimentos importantes na sua vida: o medo, a dor, a insegurança... e coisas de que nem eles suspeitam, mas são importantes, para que eles se construam, ao construirem seus textos.

De passagem: na semana passada, revi uma dessas ex-alunas.Enquanto ela falava, eu revisava suas histórias... Aos vinte anos, uma crise de dor de cabeça com vômitos... Ela tinha arranjado um namorado que a mãe detestava... Após uns cinco anos de casamento, estava feliz, mas com medo de varizes da gravidez, feiúra nas pernas, coisa horrível... Depois de anos, a crise do ciúme e desatenção matrimonial, uma colite rebelde que nada consertava... Depois a sua própria filha, com namorado indesejável; lá vem enxaqueca e dores no coração. E vai por aí afora o ser humano, sempre mistura emoções com as doenças na sua trajetória humana.

Os médicos, com competência, cuidavam de suas doenças físicas, mas poucos a conheciam em sua vida de amores e desamores. Interessante – pensei – como são diferentes os prazeres e objetivos que fazem a felicidade ou a infelicidade na vida. Resumi tudo no título da crônica. Posso escrever um livro sobre estas quatro letras, punhados pessoais da minha vida e outras vidas com que convivi... e convivo. Para ser breve.Hoje,escrevo-lhes que a vida só pode ser feliz se houver amor. Sem amor, ela será sempre drama e infelicidade, sempre uma dor.Psicológica e, frequentemente física.

Acredito que o fator felicidade é totalmente diferente no homem e na mulher – e isto nem sempre é levado em consideração. Resumindo, para a maioria dos homens, é importante ter sucesso, ter fama e fortuna, considerações sociais e superioridade. Para a mulher, isso tem valor, porém menor. O seu mundo está ao seu redor: cuidar de sua beleza, juventude, sua casa, suas roupas e novidades, as compras no shopping, anéis, adereços, ser notícia... Se forem sábios e generosos, casais podem conciliar seus interesses e preservar o amor. Se cada um “ficar na sua” e nas consequentes cobranças da vida, o amor vai empalidecer, adoecer, podendo até morrer.É algo assim!
É o amor.

Rosa Maria Olimpio

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Para ser grande, sê inteiro:

Fernando Pessoa
( Ricardo Reis)
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Crônica de Amor

O BEIJO ( RODIN-FRANCÊS)

"Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado em fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fãde MPB . Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos ''Olham'' , pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de e-mails que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock nacional e ela de samba, você gosta de cinema e ela prefere um show, você abomina Shopping Center e ela detesta o chopp com os amigos , nem no ódio vocês combinam. Então? Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que Celular, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste, que veste o primeiro trapo que encontra no armário, está sempre duro, não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim você é inteligente.
Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar.
Independente, emprego fixo, bom saldo no banco.
Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com umcurrículo desse, criatura, por que está sem um amor?Ah! o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.
Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível, honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!"

TEXTO DE:- Arnaldo Jabor

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DIA NACIONAL DA LÍNGUA PORTUGUESA





Ave, Língua Portuguesa!
Wânia de Aragão-Costa



“Art. 1o É instituído o Dia Nacional da Língua Portuguesa a ser celebrado anualmente no dia 5 de novembro, em todo o território nacional.”

Mais um Dia Nacional?

Seria, se não fossem os mais de 185 milhões de brasileiros, os nove milhões de africanos, os 11 milhões de portugueses que a usam diariamente. Seria, se uma língua, qualquer língua, pudesse ser sem aqueles que a falam. Seria, se dela não precisássemos para trabalhar, estudar, conversar, amar, viver... 12 meses por ano e não apenas em um Dia Nacional.

Que língua é essa que nos identifica, une, encanta? É aquela que tem tantas palavras, tanta melodia, tantos sentidos, que em nós se enrosca 24 horas por dia, sempre atendendo a cada pensamento que se queira partilhar. Nós, brasileiros, honramos o vernáculo com nosso talento para dizer. Somos fluentes, criativos, gostamos das nossas mais de 390 mil palavras e, tal coração de mãe, acolhemos as dos outros que, abrasileiradas, entram no “mexido” verbal. A Língua Portuguesa é sistema rico de recursos gramaticais que fortalecem a fala e o texto. Ela também é celeiro de possibilidades expressivas, retóricas, artísticas, técnicas, científicas.

E aí, Brasil, 365 dias nacionais da Língua Portuguesa!

Um pouco surpreso com as potenciais diferenças entre “o que eu queria dizer”, “ o que ficou dito/escrito”, “o que o outro leu”, “o que quase ninguém entendeu” e “o que acabou acontecendo”, o Brasil vê-se ainda enredado nos tempos e modos verbais (Presente? Passado? Futuro?), nas questões de gênero (“a presidente” ou “a presidenta”?), nos neologismos (“Mas, essa palavra existe?”), nos estrangeirismos (“Tem delivéri?”), na definição dos indicadores de proficiência ao ler e escrever (alfabetizado, alfabetizado funcional, letrado, transletrado?).

O que o Brasil ainda não vê é o cotidiano tormento de estimados 80 milhões de brasileiros impedidos da cidadania plena porque compreendem muito pouco do que é dito ou foi escrito, que não conhecem seus direitos, seus deveres. São brasileiros sem poder para usufruir da literatura vigorosa em Português ou das informações a que somente se pode ter acesso se letrado digital; são aqueles que vivem sem saber o que estão assinando ou com que se estão comprometendo (“É só assinar o papel aí!”). Falta a homenagem do Brasil à Língua Portuguesa: Políticas e Ações efetivas de acesso.

Urge, então, que se crie o Instituto da Língua Portuguesa dedicado a inventariar e descrever nossas escolhas linguísticas coletivas; a registrar usos contemporâneos do vernáculo; a pesquisar o que o brasileiro precisa de saber e o que a escola ensina sobre o Português; a armazenar e analisar dados, indicadores; a desenvolver conceitos e metodologias de inclusão verbal, com o emprego das tecnologias já disponíveis a muitos brasileiros; a rever as regulamentações do idioma.

Ave, Língua Portuguesa! Vida longa e próspera!

Superficial


Há pessoas que não se importam com nada. São seres “sem vida”, quase invisíveis, opacas, superficiais. São seres que vivem e se relacionam superficialmente, que não se aprofundam nas emoções, não se responsabilizam pelos seus atos, sempre colocando a culpa nas situações, nos outros ou em Deus.
Quem vive na superficialidade é alguém que, ao invés de lutar para vencer, entrega os pontos antes da luta, mostra-se fracassado, e, como mero expectador da vida, cria para si um perfil de perdedor. E, como não se interessa nem por si mesmo e muito menos pelos outros, não se comunica direito, não presta atenção no que ouve e não diz mais que meia dúzia de palavras sérias...O resto, só brincadeiras, só superficialidades...
Pessoas superficiais têm uma tendência ao negativismo e costumam criar expectativas muito pessimistas para a vida, e depois, se comprazem com as suas crenças autorealizáveis – “Eu não falei que ia acontecer isso?... Eu sabia que não ia dar certo...” Elas são indiferentes e apáticas, não levam a vida a sério e são mestras em julgar e criticar, tudo na base das suas superficiais suposições. Não acreditam em sonhos e projetos e, como são preguiçosas no pensar e no agir, deixam que a vida as leve, e, como diz o grande filósofo Sêneca, “não há vento favorável para aquele que não sabe aonde vai”.
Se você se sente assim, sem direção, sem disciplina, sem vontade de ser o dono da sua história, mas está percebendo que é hora de mudar e assumir o leme da sua vida, então, comece assumindo-se como um ser humano com qualidades e normais defeitos... aceite-se, e pare de fugir de si mesmo. A superficialidade nos relacionamentos demonstra um medo muito grande de se envolver e de se conhecer melhor. Relaxe... deixe-se levar em um profundo mergulho em seu interior, em seus mais secretos medos e sentimentos, e veja que, ao se aprofundar em suas próprias emoções, você vai se descobrir um ser humano incrível, cheio de potencialidades para sonhar e vencer!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O luto não é normal


Aproveitando o Dia de Finados, dedico as reflexões de hoje a todos aqueles que, por motivos diversos, têm vivido seus lutos de forma consideradas fora dos padrões normais.

Para alcançar esse objetivo, cumpre-nos iniciar relembrando que luto normal é aquele em que o enlutado cumpre satisfatoriamente as chamadas tarefas do luto que são: aceitar a realidade da perda, elaborar a dor dessa perda, adaptar-se novamente à vida mesmo com a falta da pessoa que faleceu (ou foi embora...), reposicioná-la em termos emocionais e continuar vivendo a própria vida.

Em suma, essas tarefas significam que por mais amada tenha sido a pessoa que faleceu e por mais que doa aceitar a sua partida, é responsabilidade de quem fica continuar vivendo de forma saudável.

Um luto se complica e se torna patológico quando o enlutado não consegue cumprir essas tarefas por motivos que aqui não temos espaço para descrever e “empaca” sua vida sem conseguir tocar em frente.

Dessa forma, uns tornam o seu luto crônico a exemplo de uma ferida que nunca fecha e continua infeccionada eternamente. Lembram-se das viúvas do passado que nunca deixavam seu vestidinho preto?

Outros não aceitam a realidade da perda e conservam intactos os pertences da pessoa falecida como se ela fosse novamente utilizá-los e choram anos a fio sem deixar que o tempo realize o seu trabalho.

Há ainda aqueles que se portam de maneira heróica e “forte” após uma perda e daí algum tempo, desabam por um motivo simples, vivendo o que chamamos de luto adiado, suprimido ou retardado.

Não podemos nos esquecer de citar as reações exageradas de luto quando uma pessoa enlutada vive os sintomas que seriam normais num processo de luto de forma exagerada ou dramatizada.

Por outro lado, há aqueles que vivem o chamado luto mascarado sem perceber que sintomas e comportamentos que estão vivendo têm relação com a perda que estão enfrentando.

Temos ainda a citar os lutos não autorizados ou não reconhecidos pela sociedade. Já observou como tentamos fazer que uma mãezinha que vive um aborto espontâneo não senta sua dor porque “o bebê nem chegou a nascer”? Todos nós conhecemos também alguém que não pode gritar ao mundo a dor da perda de um amante com o qual mantinha uma relação secreta, sob pena de fazê-lo e ser recriminado.

São esses lutos adiados, exagerados, camuflados, reprimidos, cronificados, negados ou evitados que impedem um enlutado de retomar sua vida e que se constituem, conforme comentamos no artigo passado, indicações para a Terapia do Luto.

Se você leitor, vem vivendo as dores de uma perda, mas percebe que a cada dia ela se torna um pouco mais leve, que cada dia que passa você chora um pouco menos, que o tempo está favorecendo aos poucos a retomada de seu trabalho e de sua vida rotineira e se você não se reconhece nos quadros acima descritos, é grande a possibilidade que esteja vivendo o seu luto de forma normal e a boa notícia é que quando menos perceber, o seu sol terá voltado a brilhar...

Vera Lúcia Dias (Psicóloga)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

"Queria ter amado mais..."


À medida que os anos passam em minha vida e eu amadureço, certifico-me, cada vez mais da importância do perdão.
O ser humano é muito carente de reconhecimento e extremamente sensível às críticas.
Perdoar é a única forma de se desapegar da dor, da lembrança, do passado. E perdoar não é escolha do outro. É sua escolha! Perdoar não porque pode ser bom para o outro, mas porque é excelente para você seguir em frente e realizar todos os compromissos que você tem com a vida que lhe foi dada.
Eu sei que falar é muito mais fácil do que praticar. Contudo, pare de querer mudar os outros ou que as pessoas sejam do seu jeito, porque a vida real é bem diferente. Não perca tempo com quem não tem a menor intenção de gostar de você. Jogue fora todos aqueles scripts que você montou em sua mente mostrando como as pessoas deveriam agir com você. Elas são o que são e só irão mudar se quiserem mudar, não porque você está triste, doente ou ofendido com elas.
Dessa forma, deixe o passado como experiência e jamais se sinta vítima dos seus relacionamentos. A autopiedade e o ressentimento são os pais de doenças tais como o câncer e outras que devastam o físico e o emocional das pessoas, depois que se instalam. A possibilidade de cura só aparece quando o doente muda sua postura mental por meio do autoconhecimento, e percebe a força do perdão em sua vida. Quando ao invés de se revoltar, de ficar em busca de defeitos em seus relacionamentos, passa a se amar mais e, consequentemente, a entender que as atitudes das pessoas são compatíveis com a sua forma de ser. Ninguém espera um carinho de um escorpião nem vai odiá-lo por causa de uma picada, pois é essa a sua natureza.

Rosa Maria Olimpio

terça-feira, 26 de outubro de 2010

GESTAR:FRUTOS EM VILA VELHA

Nova forma de ensinar Português e Matemática é destaque no Salão do Livro
Texto: Daniella Ramos
Português e Matemática sob uma nova perspectiva. Esse foi o tema abordado no estande da Secretaria Municipal de Educação (Semed) no 3º Salão do Livro de Vila Velha, nesta quinta-feira, que acontece até o dia 17, no Shopping Praia da Costa.
Professores da rede municipal formados no Gestar – curso semi-presencial de docentes ministrado pela Universidade de Brasília (UnB) – ensinam de forma leve e lúdica as matérias que antes provocavam medo e receio nos alunos. O resultado desse trabalho, desenvolvido em sala de aula com os alunos do 6º ao 9º ano, foi exposto no Salão do Livro e chamou a atenção dos visitantes do evento, principalmente das crianças.
Jogos como quebra-cabeças, cartões, formas com figuras geométricas, releituras de obras famosas, poemas, receitas, vídeos, entre outros, eram uma pequena amostra do exposto no salão e que está sendo diariamente produzido pelos alunos com a orientação dos professores.
Uma das professoras formadoras do Gestar, Raquel Marques, que ministra aula de Português usando a metodologia diferenciada, disse que o interesse e a colaboração dos alunos em sala de aula agora é muito maior. “Essa metodologia é um olhar diferenciado do Português e da Matemática, um olhar mais atrativo, que também pode ser envolvido em outras matérias, como Ciências e História”, avalia.
Ao todo, cerca de 60 professores de Português e 50 de Matemática da rede municipal estão ministrando aulas por meio do Gestar, que usa métodos como diferentes gêneros textuais (receitas, cartões, releituras, biografias) e geométricos. Todas as Unidades Municipais de Ensino Fundamental (Umef) de Vila Velha têm professores que utilizam o método do Gestar.
Lembrando que o estande da Semed no 3º Salão do Livro de Vila Velha muda a cada dia, com apresentações diárias de diversos projetos que estão sendo desenvolvidos em sala de aula.

Resultados Gestar em Vila Velha dia 07/10 - Reportagem Internet

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

PARTO SEM DOR

O primeiro parto
Quando é chegada a hora dele sair do meu ventre, onde estava protegido, alimentado, aquecido é o momento em que o elo é partido. Ele terá de sobreviver com meus cuidados constantes, vigilantes e começará o longo caminho de aprendizados.

Segundo parto

Depois de tanto tempo juntos, ensinando, protegendo, alimentando, ele vai embora procurar o seu caminho sem a minha presença. É difícil, doído. A saudade aperta, a preocupação é constante.

Terceiro parto
Esse é definitivo. É quando ele encontra um amor. A partir dai a minha presença já não é mais necessária. Ele seguirá a sua vida e terá a sua própria família.
Então, o ninho fica vazio. Até que venham os netos.

O TEXTO É DE AUTORIA DA BERÊ.
O TÍTULO É DE MINHA AUTORIA.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DIA DO PROFESSOR




O professor, ensina Rubem Alves,é um fundador de mundos, um mediador de esperanças, um pastor de projetos. Parabéns aos que semeiam mundos esperançosos na UnB.
É uma honra tê-los como colegas.

José Geraldo de Sousa Júnior. (REITOR da UnB)


Educar é crescer.E crescer é viver.
Educação é, assim, vida no sentido autêntico da palavra.


Anísio Teixeira

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Existe um chão cor-de-rosa?

Na Primavera (em maio) em alguns parques do norte do Japão, na província de Hokkaido, florescem essas lindas flores cor de rosa de um gramado chamado “gramado sakura” (shiba sakura, porque lembram as flores de cerejeiras), formando um tapete rosa, e uma paisagem deslumbrante.


UM CHÃO COR DE ROSA: MEMORIAL DE LEITURA



“Entre o sono e o sonho/entre mim e o que em mim é o que eu me suponho/
corre um rio sem fim.” (Fernando Pessoa)


As leituras que tenho feito ao longo do caminho é que me possibilitam a escritura desse texto. Quantas vezes temos que nos reportar aos livros para sustentar nosso dizer e nosso fazer como educadores?
Falar de minhas experiências com a leitura é falar de amor e de muita dor. É tocar o dedo nas feridas.
Como começar?
Começo do fim?
Não é melhor começar pelo início. Ao final vejo como amarro esse tecido textual com o tecido da minha vida. Ambos se confundem, enlaçam fios e cores numa tessitura única. Porque assim é cada vida. Assim é cada ser.
Eu fui atrás das letras. Segui uma trilha solitária.
E as encontrei. Elas sorriram para mim e jamais me abandonaram.
Foi por volta dos meus 4 ou 5 anos. Minhas irmãs iam para a escola e eu as acompanhava de longe. Se me vissem não me deixariam ir. A escola era uma casa. A professora era a dona da casa. Aprendera a ler e ensinava as crianças dela e as crianças das fazendas vizinhas. Eu ficava do lado de fora. Tudo que a professora falava lá dentro eu repetia baixinho: ma-ta, ta-tu... O quadro negro era feito de tábuas. Ela copiava lá e eu escrevia no chão duro, de terra batida, com um pedaço de pau. Lembro-me do dia que aprendi o R maiúsculo. O R de Rosa.
Primeira leitura foi em uma lata que minha mãe guardava polvilho. Eu li: “Óleo de amendoim”.Guardei segredo.
Guardar segredo desse momento mágico! Por quê?
É que certo dia estava no quarto folheando os livros de minhas irmãs, as cartilhas, e uma delas viu e saiu correndo e gritando meu pai. Levei uma surra. Estava proibida de mexer nos objetos de escola delas. Objetos de desejo. Como eu os desejava! Chorei muito e não dormi à noite. Eu só queria ver! Pegava escondidos pedaços de jornais e de revistas que vinham embrulhando as compras e levava para o milharal. E lá eu lia. Lia em voz alta, gesticulava. Apontava as montanhas, o céu.
Nessa época morávamos no alto da serra. Alto-Porã, município de Pedregulho, no Estado de São Paulo. Lá do alto avistava o Rio Grande e as montanhas que ficavam do outro lado do rio. Uma paisagem magnífica que jamais saiu de meus olhos e de minha alma.
Corria o ano de 1963, estava com 7 anos, quando atravessamos a ponte. Fomos morar em Uberaba, Minas Gerais. Seis meses depois de nossa mudança papai faleceu.
Fui morar com uma família. Fazia pequenos serviços domésticos em troca de comida, roupa, calçados. Em 1966, estava eu com 10 anos, quando me matricularam no Grupo Escolar.
Já no primeiro dia de aula, a professora nos deu uma cartilha. Novinha. Estava encapada com papel pardo. E eu li. Li em voz alta como se estivesse lendo para o cafezal em flor, para as montanhas. Ignorei a presença da professora, dos alunos. Finalmente eu estava na escola e tinha nas mãos uma cartilha. Foi o dia mais feliz da minha infância.
Quando acabei de ler a professora levou-me para o primeiro ano “adiantado”.
Ao final de cada ano eu ganhava um presente por ser a primeira aluna da sala. Lembro-me apenas de um que ganhei na segunda série: Um livro que veio com dedicatória da professora Áurea Celeste. “A Cabana do Pai Tomaz”. Era a triste história de um escravo em fuga.
Outra lembrança de leitura que me marcou deu-se no quarto ano. Toda sexta-feira, depois do recreio, a professora entrava na sala com um enorme livro vermelho, de capa dura, e lia uma história para nós. Rapunzel, João e o pé de feijão, A bonequinha preta... A voz suave da professora ecoava pela sala e ficou guardada para sempre em minha memória.
Concluí o ensino primário no final de 1969 com direito à solenidades de formatura. Missa, entrega de certificados e discursos políticos.
Fui oradora da turma. No meu texto fiz um breve relato sobre meu ingresso no mundo dos letrados. Lembro-me de que muito dos presentes choraram. Eu estava feliz. Só isso.
Neste momento, a lembrança desse dia dói em minha alma. Aos 13 anos, eu lia as palavras, mas não aprendera ainda a ler a vida.“Na escola primária/Ivo viu a uva/e aprendeu a ler.”
No início do ano seguinte, fui morar e trabalhar em Brasília. Era babá. Foram três anos sem ver minha família, três anos sem férias, três anos fora da escola. Lia muito. Jornais e revistas, e li ainda A moreninha, Meu pé de laranja lima, e Senhora. Escrevia cartas. Muitas cartas.
Retornei a Uberaba no final de 1973 e não cheguei a ficar um mês com a minha família.
Estava com 16 anos, e conheci meu primeiro amor Ao ficar rapaz/Ivo viu a Eva/e aprendeu a amar.
Mudei-me para Presidente Prudente, estado de São Paulo, com outra família. Era um casal e 4 filhos. Fiz o exame de admissão. Retornei à escola. Ficamos em Prudente um ano e nos mudamos para Pariquera-Açu, cidadezinha litorânea próxima a Iguape. Perdi meu grande amor sem ao menos tê-lo namorado. Trocamos centenas de cartas. Devia tê-las guardado, porque eram belíssimos poemas. Eu lia muito.A biblioteca da casa era riquíssima e estava sempre sendo atualizada.
Em meados de 1976, retornei para Uberaba. Fui morar com uma tradicional família da cidade.
Era então dama de companhia de uma senhora acamada. Ela perdera a visão por causa da doença. Das 19 às 23 horas uma funcionária me substituía para eu ir para o colégio. Fiz o colegial no COC. Numa madrugada, a senhora percebeu que estava acordada e perguntou-me o que eu estava fazendo. Disse que estava lendo um livro. Era Grande sertão: Veredas. – Veja que lindo! – eu dissera – e li um longo trecho para ela. Depois daquele dia, tornou-se rotina eu ler para ela os romances, os poemas, indicados pelos professores. Numa fria manhã de abril ela acordou sorrindo e disse que havia sonhado comigo. Perguntei-lhe como eu era em seu sonho. Ela respondeu: – Como você é. Linda! Chorei muito. Poucas horas depois ela dormiria para não mais acordar. Nessa época eu já estava na Universidade e dava aulas no COC no turno matutino. Inúmeros questionamentos foram tornando-se relevantes, fazendo com que buscasse melhor fundamentação para reflexões que, desde o início de minha formação acadêmica, surgiam como fundamentais. Tematizava a importância da linguagem na constituição de formas de significação da existência. Como diz Foucault, “é preciso compreender um acontecimento como uma relação de forças que se inverte, um poder confiscado, um vocabulário retomado e voltado contra seus utilizadores, uma dominação que se enfraquece, se amplia e se envenena e uma outra que faz entrada mascarada”. O ano era 1980. Passei a trabalhar dois períodos no colégio, no período vespertino, eu era professora “eventual”.
Casei-me no início de 1981. Nesse mesmo ano nascera minha filha Sílvia Beatriz e em 1982 nasceu meu filho, Sílvio Diogo.
De 81 a 83 dividia minha vida entre a universidade e a educação dos meus filhos. Comprava muitos livros para eles, mas à noite as histórias vinham de minha memória. E eu as contava dramatizando, cantando...
Meus filhos foram o maior legado que a vida reservou para mim. Com eles e por eles aprendi a arte de viver. Foram eles que despertaram em mim o olhar atento para o grande espetáculo da vida. Aprendi a olhar e aprendi a ver além. Muito além das aparências.
Em 1986 fiz minha primeira Especialização em Língua Portuguesa. Tive a felicidade de conhecer e de aprender com Eni Orlandi, Eduardo Guimarães, Eugênio Estevam, Maria Luiza Braga, Kanavillil Rajagopalan, Silvana Mabel Serrani. Eles vieram da Unicamp para dar as aulas no Curso. Muitas leituras. Aprendizado e vivência.
Nesse mesmo ano retornei à escola como professora do Ensino Médio. Acompanharam-me Paulo Freire, Rubem Alves, Edgar Morin, Moacir Gadotti, Pedro Demo e tantos outros estudiosos, que sustentaram minha prática pedagógica. Considerando que duas características dos discursos são a dispersão e a polissemia, concebo que conceitos e teorias são fenômenos culturais, socialmente construídos e legitimados. Assim, entendo o conhecimento não como algo a ser possuído, mas algo que se constrói de modo dinâmico e processual. Sendo assim, o rigor e a avaliação na aplicação do procedimento metodológico são fenômenos da ordem da intersubjetividade e estão vinculados à possibilidade de socializar o processo interpretativo.

Minha trajetória profissional tem estado vinculada, durante esses 22 anos, na área de educação, tendo trabalhado em todos os níveis educacionais (Educação Básica e Ensino Superior – Graduação, Projetos de Pesquisa e de Extensão). Atuei com coordenadora pedagógica da área de Língua Portuguesa. Minha experiência de docência é basicamente como professora.

A segunda especialização foi em Lingüística Aplicada ao ensino de Língua materna. Mais uma caminhada ao lado de grandes mestres: Doutora Ormezinda Maria Ribeiro, Aya, UnB; Dr. João Bosco e Dr Cleudemar, UFU; Dra Vânia Maria Resende, USP; Dr. Carlos Brandão e tantos outros mestres. Além desses havia Vigotsky, Sírio Possenti, Bakhtin, Barthes, Kleiman...
O trabalho de conclusão foi orientado pela professora Aya. “O texto poético em sala de aula: para além do dizível”. Artigo publicado na Revista Athos&Ethos.
O caminho profissional foi sempre partilhado com a tarefa prazerosa de ser mãe.
Em minha trajetória humana fui Gata Borralheira, Cinderela, Macabéa, Ana Moura, Clarissa, Madalena (Paulo Honório).
Hoje sou mais eu. Eu mesma. A professora Rosa Maria Olimpio. A rosa do alto da serra.
Atualmente trabalho como formadora do GESTAR pela UnB, Brasília. Viajo pelo Brasil levando aos educadores a crença do programa GESTAR, que é chegar aos alunos – crianças como eu fui em minha infância – o acesso ao mundo da cidadania assegurada pela aprendizagem da leitura. Leitura da palavra. Leitura do mundo.
No fino tear do destino, teci um final feliz para a história daquela menina que de sua mais profunda solidão atravessou o rio, as montanhas e se lançou por inteira no mundo da arte, cuja matéria prima está sempre à espera de ser lapidada: a palavra
A poética da palavra como paixão criativa, que gesta discursos provocadores. Recordo-me de uma declaração de Friedrich Nietzsche, em seu livro Humano, demasiado humano: “Há tensão e paixão que caracterizam aqueles que arriscam deslocar-se para lugares desconhecidos, desafiam verdades prontas, movem-se em busca de conhecimentos novos, viajam pelo conhecimento. Aquele que pretende apenas em certa medida alcançar a liberdade da razão não tem durante muito tempo o direito de se sentir sobre a terra, senão como um viajante – e nem sequer como um viajante que se encaminhe para um ponto de chegada; pois este não existe. Terá em vista, isso sim, observar bem e manter os olhos abertos para tudo o que realmente se passa no mundo; [...] é necessário que nele haja sempre algo de viajante, cujo prazer reside na mudança e na passagem”.
Acrescento minha experiência pessoal ao comentário de Nietzsche, com a poesia existencial de Clarice Lispector, e encerro esse memorial.
“Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”
E creio que, nos caminhos por onde andei, o chão ficou cor-de-rosa.






PRIMEIRA LIÇÃO


Na escola primária
Ivo viu a uva
e aprendeu a ler.

Ao ficar rapaz
Ivo viu a Eva
e aprendeu a amar.

E sendo homem feito
Ivo viu o mundo
seus comes e bebes.

Um dia no muro
Ivo soletrou
a lição da plebe.
E aprendeu a ver.

Ivo viu a ave?
Ivo viu o ovo?
Na nova cartilha
Ivo viu a greve
Ivo viu o povo.

PROFESSOR: A utopia somos nós.


A profissão docente há muito foi colocada em segundo plano, enquanto a educação tem sido tema das promessas eleitorais, como sempre. É notório que toda a sociedade passa, necessariamente, pela escola e, consequentemente, pelas mãos dos professores. No entanto, esta honrada profissão é humilhada, subjugada, como se fosse um mero acessório, um bem descartável a serviço da reprodução do capital. Os governos e os “especialistas” dos currículos das escolas, em todos os níveis, vêm substituindo os conteúdos necessários para a compreensão do mundo, para o enfrentamento da vida, por valores superficiais e/ou meramente técnicos. A escola tem sido transformada em mais uma ferramenta que serve apenas para capacitar para o mercado de trabalho. É a “lógica” da técnica substituindo os valores humanos. Esta é a escola do século XXI que se preocupa na formação dos sujeitos apenas para saciar a ganância da mais valia e não para prepará-los para enfrentar sua aventura maior: o mundo, a vida.
Por isso, as disciplinas que tratam das ciências humanas, como a Filosofia, Geografia, Artes, Antropologia e a Sociologia, dentre várias outras, têm sido relegadas a segundo plano. As disciplinas que tratam dos valores humanos são perigosas para os detentores do poder político, pois elas ensinam os sujeitos a pensar e, ao capital, aos donos do poder não interessam formar sujeitos pensantes, pois estes vão questionar seu poder, sua “justiça”, seus valores hipócritas, oriundos da sociedade do consumo e do culto ao supérfluo, ao descartável. Trata-se da relação saber/poder, conforme enfatiza Michel Foucault em sua “Microfísica do Poder”.
Dentro desta lógica, a profissão docente é subjugada aos anseios dos donos do poder. A eles interessam a formação de professores que não pensam, não questionam. Interessam a eles formar professores “enlatados”, “enquadrados”, “acomodados” dentro de seus projetos de perpetuação do modelo de reprodução do capital, de manutenção do status quo da ganância exponencial da mais valia capitalista. Seguindo esta lógica, a formação de professores para atender uma educação que, a cada dia mais, se transforma em mercadoria, também têm que se submeter aos salários aviltantes do mercado da “indústria do vestibular”, dos governos capituladores, ou dos grandes grupos inter/multi/transnacionais que tomam conta das escolas e das universidades brasileiras.
Por fim, neste dia 15 de outubro, mesmo não tendo o que comemorar, fica o convite aos colegas professores: vamos partir para uma séria reflexão sobre a nossa prática em sala de aula e nossa profissão. Faz-se urgente que ergamos a cabeça e comecemos a olhar a escola para além de seus muros, repensando seu papel social. Faz-se urgente que entendamos nosso papel enquanto sujeitos formadores de valores éticos, morais e de sujeitos que podem ser agentes, cidadãos transformadores da dura realidade socioeconômica e cultural em que vivemos. É urgente que percebamos qual é o nosso relevante papel, no interior de uma sociedade cada vez mais carcomida, deteriorada pela imoralidade em todos os níveis e que caminha, a passos largos, para a barbárie. Vamos passar a limpo nossa profissão e a escola no Brasil, visando à formação de sujeitos que sejam agentes de transformação social, ao longo de um processo histórico e cultural. Há que se começar por nós. Professores que já não têm mais respeito e nem direito, perante a sociedade. Nem salário digno, nem afeto de nossos alunos ou da sociedade. Em que esquina ficou perdida nossa dignidade? Há tempo.Há esperança.Vamos em busca de nossos sonhos. A utopia ainda vive.A utopia somos nós.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

"É mais belo dar apenas por haver compreendido."


Que se afastem de mim aqueles que sempre precisam dar seu palpite. Que se afaste de mim o conversador, aquele que tem sempre um conselho a dar. Que sabe tudo. Livra-me daqueles que dão respostas a perguntas que nem sequer formulei que têm respostas todas prontas. Livra-me daqueles que nem sequer querem ouvir que não têm paciência para escutar, que não têm amor para compartilhar, que não têm paciência para dialogar, daqueles que julgam ter sabedoria suficiente para distribuir, daqueles que não têm vontade de acolher, de aceitar, de respeitar, de compreender, daqueles que exigem que sejamos como eles. Dos azedos. Livra-me também daqueles que não têm tempo para perder, daqueles que estão preocupados apenas consigo mesmos, o problema dos outros não lhes interessa.
Apesar de tudo, quero um coração que escuta, quero força para acolher o outro, para compreendê-lo, para aceitá-lo. Quero deixar que o outro seja ele mesmo. Que mereça minha confiança, que eu procure junto com ele, uma solução, uma saída, um caminho, uma luz, sem exigir dele uma atitude falsa, farisaica, mentirosa.
Desejo ter compreensão e respeito pelas dificuldades, pelas angústias, pela boa vontade do outro, sem empurrá-lo, sem deixá-lo para trás.
Desejo ter um coração que escuta. Quero o dom de tolerar com paciência aqueles que pensam que somos uns idiotas, de miolos moles. Quero serenidade para ouvir os conselheiros de última hora, dos que dão palpites sobre nossa vida, sobre nosso modo de ser, sobre nossos gostos. Que se afastem de mim aqueles que adorariam que fôssemos todos iguais a eles.
Que eu não seja pedra no caminho de ninguém. Que ninguém se entristeça e sofra por causa de minhas atitudes, ainda que elas estejam cheias de boas intenções.Que eu possa dar apenas por haver compreendido. Assim, quero compreender.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

LEITURA E ESCRITA: O OLHAR DE QUEM APRENDE E ENSINA


"A Menina do Pombo" Tela de Pablo Picasso
Sugestão de Leitura:

Artigo publicado na Revista da Pesquisa & Pós-graduação da Universidade Federal de Ouro Preto‏

Autora: Laureci Ferreira da Silva
Professora Formadora do GESTAR(Salvador Bahia)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

VISÃO OPACA


Quero convidá-lo, hoje, a refletir comigo sobre o otimismo e o pessimismo e como funciona a Lei da Atração em ambos os casos, partindo do princípio de que você vê e vivencia aquilo que você é, aquilo que você acredita.
Como você já sabe, as pessoas negativistas tendem a ver e comentar só o lado ruim dos fatos e das pessoas. Sua vida se resume em queixas e condenações, numa inconsciente tentativa de se isentar das responsabilidades do próprio viver.
Não estou querendo dizer que você deve ser um alienado em relação à realidade e às maldades que o cercam. O que você não pode é se deixar envolver com as negatividades, com pensamentos de medo ou com maledicência, comentando o mal a todo momento. Uma importante prevenção para que o mal não o alcance é você ser mensageiro do bom-humor e das notícias construtivas.
Eis aqui, um caso real para concluirmos a nossa reflexão: Certo dia, o marido chegou em casa mais cedo, arrasado porque havia sido demitido de seu terceiro emprego naquele ano. Jogou a chave na mesa, atirou-se no sofá e esbravejou: “Não sei o que acontece comigo... Tudo que eu quero fazer dá errado, só gente ruim se aproxima de mim, estou cheio de dívidas e agora mais essa: perdi o emprego! Que praga, parece que sou amaldiçoado...” A esposa, cansada de conviver com alguém tão pessimista e revoltado, já nem dava atenção às queixas, porque sabia que não conseguiria mudar seu esposo, e que ele só mudaria seu jeito de ver a vida quando assim quisesse. Ela já tinha aprendido a não se deixar contaminar com o nervosismo dele e, assim, ia levando a sua vida, evitando conflitos maiores. Mas, nesse dia, o homem realmente se sentiu incomodado com o silêncio da esposa e reclamou que ela não o apoiava em seus problemas. Diante da insistência do marido em ouvir a sua opinião, ela lhe disse: “Meu amor, só vou pedir para você observar como anda a minha vida: um emprego maravilhoso, pessoas à minha volta que realmente se importam comigo, e... agora..., um marido que se interessa em saber a minha opinião a seu respeito... Interessante, querido, porque tudo que me acontece é exatamente uma representação daquilo que imagino para mim, daquilo que acredito que pode me acontecer – sempre penso bem a respeito do meu trabalho e dos meus colegas e, quanto a você, tenho repetido diariamente, há alguns meses, esta declaração: ‘Meu marido é maravilhoso, otimista e aberto a tudo aquilo que pode lhe fazer mais feliz! ’ Então, se você quer realmente saber o que eu penso, escute bem: Você só vai encontrar felicidade e realização quando aprender a agradecer ao invés de reclamar e colocar amor e generosidade em seus pontos de vista e comentários. Pense nisso, meu querido, fique de olho nos seus pensamentos e palavras, porque você está exatamente onde você mesmo se colocou!” – concluiu a esposa, envolvendo-o em um caloroso abraço.

Rosa Maria Olimpio

CENSO BRASIL




NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Primavera: Flores e Estrelas

(Tela de Vincent Van Gogh “A Noite Estrelada”)

Desde criança tenho mania de fitar o céu, todas as noites. Nesta época, não tenho tido a visão alegre e luminosa das estrelas porque um véu grosso de poeira, que sobe da terra, impede meus olhos de se deliciarem com as pequeninas luzes das estrelas. A razão disto é que a poeira é tanta e, há tempos, por não termos tido chuvas, o céu não permite ver as pequeninas luzes das estrelas, escondidas atrás da camada grosseira do pó que sobe. Não sei por que hoje, isso me fez refletir sobre nossas nuvens interiores.
De fato, nosso olhar, que só vê no sentido horizontal, deveria educar-se para voltar-se para o alto. Nunca deveríamos esquecer que os bens divinos que nos irão nos fazer mais belos e mais ricos em nossa essência. Todas as respostas, concretas ou sutis, estão lá em cima, onde repousam as certezas das nossas esperanças.
Fomos feitos para subir. Nosso olhar não deveria contemplar apenas a linha reta do horizonte. Somos feitos para o alto, onde brilham as luzes da sabedoria.
Nesta época, ao aproximar-se a primavera, a natureza que parecia repousar e dormir, desperta e desabrocha. Os ipês enriquecem, com o ouro de suas flores, os caminhos de nossos passos. Os jardins se colorem com a delicada beleza das flores. É uma vida nova que nos convida a renovar a vida interior da alma e do coração. É hora de florir...
A dureza do nosso dia-a-dia, com a preocupação justa de sobrevivência, nos tira a visão alta de nosso destino. Vivemos mergulhados no corre-corre dos nossos deveres e nos esquecemos de erguer os olhos para o alto.
No dia-a-dia, pode ser que venhamos a esquecer que somos convidados a participar das riquezas da vida. É com nosso olhar aprofundado para o espetáculo do universo, que poderemos colaborar para que os campos místicos do destino se cubram do colorido das flores. A primavera chegou. É tempo de florir.

Rosa Maria Olimpio

terça-feira, 28 de setembro de 2010

André Luís Ísola:UM POETA E UM POEMA :



VOCÊ QUE NÃO EXISTE
MESMO ASSIM ME FAZ TÃO TRISTE
POR NÃO TER VOCÊ PARA MIM

TÃO VISÍVEL COMO O VENTO
ME INVADE O PENSAMENTO
COM MIL BEIJOS DE CARMIM

VOCÊ QUE É POESIA
COMPLICADA FANTASIA
QUE EU VIVO SEM PERCEBER

TE PROCURO PELOS BARES
JOGO TUDO PELOS ARES
E BEBO PRÁ TE ESQUECER

EM CADA CANTO UM DESENCANTO
VEJO GRAÇA NO MEU PRANTO
FICO LOUCO MEIO ASSIM

PONHO FOGO NOS COMETAS
E BARQUINHOS NA SARJETA
PRO MUNDO NÃO TER MAIS FIM

MODELO VOCÊ NO BARRO
NAS CINZAS DO MEU CIGARRO
E NOS RAIOS DE LUAR

NAS PEGADAS DO CAMINHO
PERCEBO QUE ESTOU SOZINHO
CONTINUO A TE SONHAR

BEIJO AS PÉTALAS DAS ROSAS
NUMA CÁUSTICA AMOROSA
SIMULANDO O TEU BATOM

TOCO OS SINOS DA IGREJA
EU ME ENTREGO DE BANDEJA
SE VOCÊ GOSTAR DO SOM

SIGO OS CARROS NA AVENIDA
SÓ TENHO VOCÊ NA VIDA
ENTÃO NÃO TENHO NINGUÉM

ME DESDOBRO PELO ESPAÇO
ME REVIRO, ME AMASSO
POR VOCÊ EU VOU ALÉM
CHEGO À BEIRA DE UM BARRANCO
CONTO OS MEUS CABELOS BRANCOS
JÁ NÃO SEI O QUE É CERTO

ME LANÇO SOLTO NO AR
PENSO QUE POSSO VOAR
E O CHÃO CADA VEZ MAIS PERTO

SINTO AS PEDRAS ME ABRAÇANDO
CONTINUO IMAGINANDO
VOCÊ DIZ QUE NÃO EXISTE

ACABOU A ALEGRIA
O ENCANTO E A FANTASIA
TUDO ACABA O FIM É TRISTE

sábado, 25 de setembro de 2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

sejamos autênticos

A decepção existe tão-somente porque costumamos idealizar as pessoas, ou seja, ao invés de aceitar os outros como são, ficamos tentando moldá-los conforme nossas expectativas, e esse comportamento é extremamente prejudicial para qualquer tipo de relacionamento, pessoal ou profissional. Temos de estar conscientes de que vivemos em um mundo ainda imperfeito e, muitas vezes, é comum nos decepcionarmos com os que nos cercam.
Muitas das vezes, para não perder a admiração e a aprovação dos familiares e amigos, mudamos nossa natureza e passamos a agir de forma a agradar aos outros, o que causa um verdadeiro estrago em nossa autoestima. E quantas vezes, diante das injustiças ou das desavenças, escolhemos a vingança e passamos a trilhar caminhos de ressentimentos e de dores. Tudo isso, é claro, resulta em sofrimento e na descrença no sentido de nossa vida. Passamos a desvalorizar a nós mesmos e a desconfiar do ser humano em geral.É essencial que sejamos autênticos, buscando viver de bem com a vida, nutrindo-nos dos mais puros sentimentos, cultivando a compaixão e, principalmente, cuidando para não nos contaminarmos com a revolta, o azedume e as mágoas das pessoas que nos são próximas.
E a melhor forma de nos protegermos das influências negativas é fortalecermos nossa autoconfiança e nosso amor-próprio. Quem se ama e confia nos próprios talentos possui uma natureza determinada e exemplifica aos outros o poder da valorização pessoal. Quem tem a autoestima desenvolvida pratica o bem pelo grande prazer que é fazer a diferença na vida das pessoas, e não em busca de aprovação ou de gratidão pelos seus atos. Não precisa cobrar de ninguém, porque sabe que a vida é um eterno dar e receber.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"Que nem mesmo a morte nos separe"



Aproveitando a importante matéria de capa da Revista Veja, da última semana, intitulada “Casar faz bem”, faço uma breve reflexão sobre os segredos da felicidade conjugal. Na verdade, estes segredos são pequenos detalhes que fazem a diferença nos relacionamentos afetivos, capazes de garantir acesa a chama do amor e do companheirismo, mesmo depois de muito tempo de casamento.

No meu ponto de vista, o detalhe fundamental para a felicidade a dois é o fato de cada cônjuge estar bem consigo próprio, ou seja, ter uma autoimagem positiva e confiança em seu próprio valor. A questão da autoestima é básica, porque, se uma pessoa não se valoriza como vai querer ser valorizada pelo outro? Impossível! E quando os cônjuges estão em paz com a sua própria pessoa, são mais respeitosos em relação à individualidade de cada um, sabendo que o casal é formado por duas pessoas inteiras, que se uniram não para se completarem – pois que são inteiras –, mas para caminharem juntas em direção a um objetivo comum.

Uma união fadada à felicidade é aquela em que cada um dos companheiros se interessa pela vida do outro e o estimula ao crescimento integral, criando uma forte conexão emocional entre eles.

É importante também respeitar as diferenças, conhecendo como o outro se comunica e entende o mundo. Por exemplo, um parceiro mais visual, ou seja, que usa mais o que vê, ou o que escreve ou lê para se comunicar, terá alguma dificuldade em se relacionar com uma parceira mais sinestésica – que gosta de abraços e carinhos e lhe cobra essas atitudes, ou com uma parceira mais auditiva, que aprecia ouvir elogios e declarações de amor, e insiste em dialogar o tempo todo. Quem é mais visual não se sente confortável com muitos toques e “amassos”, nem gosta de pessoas que falam demais. Muitas vezes, a pessoa mais visual é considerada fria e insensível, mas isso não é um defeito dela, e sim uma característica na sua forma de ser e de se comunicar. A conscientização desse fato traz muito alívio aos relacionamentos, porque cada par pode buscar sua própria mudança, desenvolvendo novas habilidades na interação familiar.

Outro fator interessante e que tempera o casamento é manter o romantismo através da troca de bilhetes amorosos e ousados, bem como os parceiros se olharem mais nos olhos um do outro e cultivarem o diálogo construtivo e afetuoso – sem queixas, críticas e prejulgamentos.

Viver ancorado no momento presente é de grande valia na vida a dois, porque fatos dolorosos do passado, ao serem relembrados, acabam por deixar sombras e arestas no relacionamento.

E, finalmente, entender que os filhos precisam ter o seu próprio espaço na vida familiar, não devendo ocupar o espaço do casal. Para isso, os cônjuges devem preservar a sua privacidade e a afetividade dos primeiros tempos, com amor e maturidade.

Viver a dois em harmonia é um dos grandes desafios do ser humano, mas, segundo pesquisas mais recentes, é também uma das maiores fontes de alegria, saúde e prosperidade.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

MENINO


O grande pregador Padre Antonio Vieira, cujos sermões em nossa língua são de beleza indescritível, deixou lindas e profundas reflexões sobre o amor divino e o amor humano. Lembra, porém, que o amor pode ser destruído por muitos perigos que ele chama de “remédios” que podem curar o amor.
O que, em primeiro lugar, pode esfriar e até destruir o amor, diz o Padre Vieira, é o tempo que “tudo gasta, tudo digere, tudo acaba”. Compara ele o afeto amoroso com a vida. Quanto mais longa for, é certo de passar a durar menos. É a motivação que levava os antigos, na sua sabedoria que o tempo ensina, a pintar o amor como se fora um menino, “porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho”. Com o correr do tempo o amor cria asas, com que voa e foge.
Mas isto acontece quando, quem ama, não toma os necessários cuidados de fazer de cada dia o primeiro dia.
O amor – se verdadeiro – tem de ser eterno, porque se vier a desaparecer, nunca de fato foi amor. Em tudo mais na vida, quando desaparece, prova que existiu. Só com o amor se dá o contrário: se deixa de ser, é certo que nunca foi. Se desaparecer, esfria e morre. Se fora, nunca deixará de ser...
Esta é a razão pela qual, sempre orientei meus filhos a fazerem de cada dia de suas existências, sempre o primeiro dia. O mesmo vale para o casal. Já que não existe casal infeliz no dia do casamento.
Nem vale querer justificar o fim do amor por motivos que pareçam razoáveis. É só lembrar a sábia advertência de Camões: “É tanto mais o amor depois que amais / quanto são mais as causas de ser menos”.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Educação e formação de homens de bem.



Escultura: "Homem sentado" Cândido Portinari)
A Filosofia, assim como a Sociologia, foi banida das escolas, tanto do Ensino Básico, como do Superior. Quando voltou aos currículos dos cursos superiores, com a volta da democracia, encontrou ambiente pouco propício. Não só faltavam professores, como faltava, o que é pior, a consciência dos gestores em educação sobre a sua importância na formação dos profissionais.

Para muitos, a formação que interessa é a técnica, aquela que municia o estudante com conhecimentos que o habilitam a exercer sua profissão de forma mais ou menos competente. Olvida-se, então, que este profissional é um ser humano e um cidadão antes de ser profissional. Que somente será um bom profissional quando souber refletir sua prática e tiver instrumentos conceituais que lhe permitam fazer perguntas e lançar-se na aventura de buscar novas respostas.

Este papel, inegavelmente e historicamente, compete à Filosofia, porque uma atitude filosófica é aquela que pensa nos fundamentos, reclama os princípios, analisa as consequências, destaca as origens, resgata as incongruências. Quem afirmaria que esta atitude não é importante na formação da juventude?

Infelizmente, percebemos que, em alguns cursos superiores, a Filosofia somente consta na grade curricular com função estética. As disciplinas filosóficas (que têm outros nomes, mas conteúdo filosófico, inclusive a ética) não são levadas a sério, porque professores de qualquer formação são chamados a ministrá-la. Encontramos professores com formação em História, Pedagogia, Letras, Direito etc., considerando-se habilitados a ensinar aquilo que não constava de sua área de formação. Talvez 60 horas-aula ou um pouco mais na sua graduação já são considerados o suficiente para torná-lo "professor".

Façamos uma analogia, aqui, para compreendermos o que isso significa: se no curso de Medicina encontra-se uma disciplina que exige conhecimento de Biologia, o seu coordenador procurará um biólogo, e não uma pessoa que, quando fez a graduação em Medicina, estudou esta disciplina. Caso este coordenador não encontre um profissional na cidade, irá procurá-lo em outros centros. Se na grade curricular do curso de Engenharia Ambiental há uma disciplina do tipo "Legislação Ambiental", o coordenador deste curso chamará um professor com formação em Direito. E poderíamos nos estender nos exemplos.

Os gestores dos cursos superiores sempre procuram os melhores profissionais para ser professores e cuidam para que tenham a formação necessária. Isto, porém, não acontece quando a disciplina é filosofia ou sociologia. Há um descaso, um desrespeito para com o aluno. Alguém poderia afirmar que se pode aprender Filosofia de forma autodidata, sem necessariamente cursar um Bacharelado ou Licenciatura em Filosofia. É verdade que isto pode ocorrer, mesmo com outras áreas do conhecimento, como direito, história, geografia, biologia etc. Mas ninguém contrataria, a nível de Ensino Superior, um autodidata para outras disciplinas consideradas técnicas.

Um professor que teve uma formação inicial em outra área realmente e é um apaixonado pela Filosofia teria procurado pelo menos fazer uma Pós-graduação nessa área. Vejam o caso de Wittgenstein (ele era engenheiro de formação inicial) e de Russel (era matemático), entre tantos exemplos de filósofos que começaram sua vida acadêmica por outra porta e depois foram seduzidos pela filosofia.

Como se pode transmitir um conhecimento não assimilado, utilizando manuais, sem ter lido o pensamento dos filósofos nos seus originais? Lamentavelmente, presenciamos disciplinas filosóficas sendo tratadas em cursos superiores, sem o mínimo rigor. O que confirma nossa tese inicial: a desimportância da filosofia no Ensino Superior praticado nas instituições de Ensino Superior particulares de Uberaba.

A Filosofia representa o potencial de libertação racional do homem, porque lhe oferece instrumentos que lhe permitem, por meio de ligações lógicas, estabelecer relações e atribuir sentido aos fenômenos por ele estudados. Estamos incorrendo no pecado de formar bons técnicos, mas péssimos homens. Acredito que os estudantes têm direito de conhecer o pensamento filosófico acumulado durante séculos, para, a partir dele, se lançar em sua própria aventura de produzir conhecimento.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

CAUSA E EFEITO

A cada dia fico mais convencida de que nem felicidade nem sucesso permanentes são alcançados se não houver merecimento.Podemos até conhecer muitas pessoas bem-sucedidas, ou que aparentam felicidade e que, na verdade, não são pessoas de bem, e e compreendemos, pela nossa evolução espiritual, que toda essa prosperidade que mostram ao mundo são simplesmente castelos de areia, sem a menor consistência e que, mais dia menos dia, vão desabar e deixar apenas poeira no ar.

O que nos torna merecedores da felicidade e do sucesso duradouros é a nossa conduta reta, a postura de compaixão diante da dor do outro, a forma honesta de nos relacionar com as pessoas. Neste mundo ainda imperfeito em que vivemos, é deplorável constatar quantas pessoas há que se mostram mascaradas de amigas, companheiras e incentivadoras, mas que, ao menor deslize, são descobertas em suas mentiras e ações de má-fé.

As pessoas desonestas não percebem que mesmo que ninguém esteja presenciando suas trapaças, o Universo e sua própria consciência sabem de tudo e dia virá em que a vida lhes trará de volta tudo aquilo que elas transmitiram, através dos fracassos e das decepções com outros embusteiros, e a própria consciência lhes punirá através das doenças que vão surgindo, sem nenhuma explicação aparente.

Dias atrás, no aeroporto, escutei o seguinte depoimento de uma moça para uma amiga que estava com ela: -"Não sei o que acontece comigo, mas sou alvo de ladrões ou de gente querendo me passar para trás. Na minha última viagem, acredita que aqui, no aeroporto, mexeram em minha mala e roubaram um estojo de bijuterias? Reclamei na companhia aérea e eles, depois de comprovarem que o peso da mala chegou menor do que estava quando pesaram na saída, disseram que iam me ressarcir o valor do conteúdo do estojo. Na verdade, eu não tinha coisas de valor, não, mas aproveitei a chance e declarei que tinha seiscentos reais em bijuterias perdidas. É desaforo, não é? Como é que mexem assim nas minhas coisas?” Então, depois de ouvir essa lamentável declaração, fiquei refletindo comigo mesma: Infelizmente, ela vai continuar passando por golpes e decepções, porque ela não foi honesta quando deveria ter sido. Ela poderia ter feito a reclamação à companhia aérea e declarado o valor real do conteúdo daquele estojo. Dessa forma, ela estaria sinalizando ao Universo que é uma pessoa merecedora de prosperidade.

Por isso, observemos, dia-a-dia, as nossas atitudes, lembrando-nos de que a vida é um eterno dar e receber.Atraímos para nós exatamente aquilo que pensamos, falamos ou fazemos.

Rosa Maria Olimpio

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

TRISTE RETROCESSO


É grande equívoco querer separar totalmente a vida pessoal da vida profissional. É uma grande teia, na verdade. Pessoal e profissional estão interligados e não há como negar isso. Também, é verdade, não há como um não influenciar no outro.
Certa vez, uma beata viu o sacristão da igreja tomando cerveja com o amigo em um barzinho perto da casa dela. Nada de errado, não é mesmo?
No entanto, para ela, aquilo era um verdadeiro sacrilégio, um absurdo, um pecado com direito a excomunhão.
Tomando conhecimento do caso, o padre acabou não mandando o sacristão embora. Ele, sensato e justo, escutou a versão do rapaz. No fim, o sacristãozinho continuou empregado e feliz. Porém, nervoso demais com a beata fofoqueira...
Ora, é assim também no futebol. Por mais que muitos digam que a vida pessoal do cara é dele e só dele, é preciso uma discussão mais abrangente sobre o assunto.
Jogadores, além de milionários, também são ídolos. Na grande maioria, são ídolos de crianças. Crianças pobres, sem um plano na vida, a não ser... tornarem-se jogadores de futebol.
Entende a seriedade desse assunto? Há milhares de crianças e jovens, por exemplo, que adoram ser o goleiro quando brincam de jogar bola. “Bruuuuuuno!!!”, gritavam, ou ainda gritam muitos deles, a cada defesa feita. Agora, o ídolo deles, o maior goleiro do mundo – para eles – é apontado como suspeito de participar de um crime macabro.
No entanto, infelizmente, o caso do goleiro Bruno é só mais um entre tantos casos parecidos. Já tivemos casos de atletas batendo em namorada; jogador negociando com traficante; boleiro saindo com prostitutas adolescentes, artilheiros alcoólatras e viciados em outras drogas...
Tudo bem que é preciso entender que estamos falando de seres humanos. Humanos erram. É normal. Não sou moralista, nem juíza da humanidade, porém, certos erros são perfeitamente evitáveis. Achar que por ser ídolo se pode fazer tudo é um erro. Achar que dinheiro compra tudo, é outro erro ainda maior.
É preciso que o jogador entenda que muitos órfãos, por exemplo, se espelham neles! Houve um tempo em que o garoto escutava que seu ídolo cresceu na favela e venceu na vida, apesar de todas as dificuldades. Naquele tempo, contudo, não se ouvia dizer que depois de ficar rico e famoso, o jogador, que fora pobre, voltou para ajudar traficantes, assassinos e ladrões. Lembro de já ter lido e visto reportagens em que os craques abrem instituições de apoio aos menores em situação de risco; compram comida, dão roupas e oferecem educação. Hoje, para tristeza de muitos e decepção da maioria, o dinheiro que poderia ser gasto com atitudes nobres e de caridade está sendo colocado nas mãos de advogados de defesa...
Triste, muito triste. Em muitos casos, o homem caminha para trás, regride, quando o que se espera é o progresso. Eu ainda acredito na evolução humana a caminho do bem.

Rosa Maria Olimpio

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A vida é simples assim...


A felicidade está dentro de cada um. Ela não depende de ninguém. O sentimento de apreço e consideração que sentimos por nós mesmos, que nos dá autoconfiança em nossas atitudes e decisões, é que nos faz felizes. A partir do momento em que nos valorizamos como “ser humano” e valorizamos a nossa capacidade pessoal, nós começamos a nos preparar para as realizações positivas que a vida nos reserva. Muitos transtornos acontecem por causa da baixa autoestima: desavenças, invejas, ciúmes, fofocas e tristeza. Muita tristeza.
Quando estamos com a nossa autoestima equilibrada, passamos a ser uma pessoa mais dedicada, mais interessada em aprender e muito mais confiante em nosso potencial produtivo. Com isso, não vamos nos sentir ameaçado com os talentos de nossos colegas e nem com inveja do brilho dos outros, porque sabemos que somos também capazes de crescer, ser reconhecido, ser amado, ser feliz.
Com a autoestima elevada, não nos perturbamos com as decepções que sofremos, porque as vemos como desafios que nos levam a uma melhor compreensão de nós mesmos. l.
Confiando em nossa força interior, em nossa capacidade de aceitar as perdas e recomeçarmos, riscamos de nosso dicionário a expressão “não consigo”, porque sabemos que o impossível só existe até que alguém prove que é possível. Acreditamos em nossas possibilidades!
Quando nos valorizamos, não nos ofendemos com as críticas e sabemos distinguir aquelas que são invejosas daquelas que são construtivas e fazemos bom uso delas.
‘Sentindo-nos bem em nossa própria companhia, não seremos uma pessoa que não tem medo de ouvir um “não”, e, sendo assim, somos corajosos nas solicitações, porque sabemos que o máximo que vamos ouvir é um “não” e isso não vai nos fazer desistir dos nossos objetivos.
Demonstramos autoconfiança quando caprichamos mais em nossa imagem pessoal, no nosso modo de vestir, falar e agir. Façamos as pazes com o espelho e cuidemos mais de nossa autoimagem, porque, quer gostemos ou não, a forma como nos cuidamos diz muito de nós mesmos para as pessoas que convivem conosco. Elevando o nosso amor-próprio, deixamos de pensar que nascemos para agradar a todo mundo e não sofremos tanto quando percebemos que não somos amados por todos. Paramos de mendigar a atenção e a aprovação dos outros e aprendemos a nos interiorizarmos mais. E, olhando para dentro de nós, descobrimos quão rico de talentos somos e quão longe podemos caminhar!
A verdade é que somos únicos e especiais, embora tentemos, muitas vezes, esconder os nossos talentos por medo das críticas ou por um medo inconsciente de crescer e aparecer.
Sabendo disso, levantemo-nos já e tomemos posse da nossa importância, distribuindo a nossa experiência, a nossa boa-vontade e os nossos dons para o mundo! Afinal, somos muito importantes!Seja qual for a nossa dor, não nos menosprezemos, mas antes confiemos em nossa capacidade de amar e ser amado Que o amor nos torne felizes


Rosa Maria Olimpio

segunda-feira, 26 de julho de 2010

José Saramago!

José Saramago

No dia 18 de junho de 2010, a humanidade perdeu um de seus membros mais ilustres. Morreu José Saramago, escritor português que fazia da pena uma poderosa arma contra as injustiças e em favor dos injustiçados do mundo. Apesar de nascer em Portugal, Saramago era cidadão do mundo. Era um homem para além desse tempo de “barbárie”, era um homem cuja visão simples, própria da origem camponesa, não se concentrava nos detalhes, mas na totalidade da essência do mundo, conseguindo perceber os detalhes e suas ligações com a totalidade do mundo, com a harmonia e desarmonia da vida. Assim era Saramago, assim ele foi durante toda sua existência. Polemizava quando era necessário, brigava quando tinha convicção de sua causa, porém, nunca abandonava uma causa nobre.

Esse adorável escritor passou toda sua existência entre o amor e o ódio. Era amado pelos que possuíam nobreza de caráter e odiado pelos covardes, pelos assassinos, pelos injustos, pelos escravagistas, pelos censores. Saramago examinava o mundo com a lupa da honradez, da retidão de seus valores, da luta contra todas as formas de preconceito e discriminação [das maiorias e das minorias]. Mais que escritor, ele era um militante em favor das causas justas, por isso, ele examinava os fatos e suas consequências e não seus autores. Elogiava quando se merecia e criticava quando necessário. Não importavam a quantos nem a quem eram dirigidas suas críticas ou elogios. Esse era o homem português, escritor, lutador, desbravador, pesquisador, poeta de muitos ou de poucos homens.

Sua obra tinha o traço da crítica severa, mas não da crítica pela crítica, mas da crítica propositiva, que buscava alternativas, que vislumbrava novos horizontes, novos rumos, novos caminhos. Acreditava que “para se descobrir novos caminhos é necessário sair dos trilhos”, pois eles [os trilhos] determinam um único caminho, já conhecido. Sua obra se destaca pela ironia verdadeira, pela contundência de sua crítica, pelo apelo que faz em nome da construção de outro mundo, de outra sociedade. Sua filosofia era a filosofia da liberdade, do amor à vida e aos homens justos, acima de tudo.

Sua obra se destaca, mais que nunca, pela simplicidade de sua escrita. Mas não é uma simplicidade qualquer, é a simplicidade que destaca o complexo, o contexto. É uma simplicidade que se aprofunda desnudando a verdade de suas crenças, metendo medo nos covardes, dando o verdadeiro nome às coisas, não importando a quem ou a quantos iria agradar ou desagradar. Diferente de alguns que se dizem escritores, Saramago não escrevia para vender. Não fazia da literatura mera mercadoria a serviço da mais valia. Sua obra objetivava a construção de uma filosofia de vida, da edificação de um mundo e de uma sociedade mais humanos. Esses traços, contundentes em sua literatura, o assemelham a Paulo Freire.

Ao analisarmos, com profundidade, seus trabalhos, podemos perceber diversos pontos comuns com os trabalhos do professor Paulo Freire. Assim como Freire, Saramago acreditava que a utopia de hoje será a realidade de amanhã, que a esperança é o tênue fio que une o sonho à realidade. Assim como o nosso brilhante Paulo Freire, ele também acreditava na emancipação dos “Demitidos da vida”, dos “Esfarrapados do mundo”. Por isso, defendia os indígenas, os negros, os mendigos, as prostitutas, os homossexuais, enfim, fazia sua a causa dos oprimidos, dos “De baixo”, nas palavras de Freire. Assim como Freire, Saramago acreditava no poder de transformação presente em cada ser humano, acreditava na essência entre a forma e o conteúdo. Enfim, os dois acreditavam com veemência na emancipação dos oprimidos diante dos opressores. A “Pedagogia crítico-libertadora” de Paulo Freire é a mesma “Filosofia da liberdade” de Saramago.

Por fim, a humanidade não perdeu apenas um escritor ilustre. Mais que isso! A humanidade perdeu um militante em favor da justiça, dos oprimidos. Perdeu um homem que desafiava, com a mesma intensidade tanto o Vaticano quanto a Casa Branca. Perdeu um homem que, acima de tudo, nunca se deixou fascinar pelo poder que emana das elites, das falcatruas, das maracutaias, da desonestidade e da injustiça.

Enfim, pelo homem que foi e pelas ideias que construiu, por intermédio de sua escrita simples, cuja obra se assemelha à batuta que rege uma grande sinfonia, em nome da humanidade, eu brado em alto e bom som: sua obra percorrerá a eternidade. Obrigado! Grande José Saramago!

20/07/2010


Valter Machado da Fonseca -
Mestre e doutorando em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU); professor da Universidade de Uberaba (Uniube)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Entre Pontos e vírgulas


Inicio essas reflexões com um singelo - porém marcante - conto de autor desconhecido:

“Um homem rico estava muito doente. Pediu papel e pena e escreveu assim: ‘Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres’. Esqueceu de fazer a pontuação da frase e morreu deixando com ela uma grande pergunta sem resposta: A quem ele deixava a sua fortuna? Eram quatro concorrentes: O sobrinho, a irmã, o alfaiate e os pobres. O sobrinho fez uma cópia e colocou a seguinte pontuação: ‘Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres’. A irmã chegou em seguida. A pontuação dela foi assim: ‘Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres’. O alfaiate pediu a cópia do original e pontuou segundo os seus interesses: ‘Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres’. Então, chegaram os pobres da cidade. Um deles, muito esperto, fez esta interpretação: ‘Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres.”

Gosto dessa história, porque além de fazer dela bom exemplo para o ensino de pontuação em sala de aula, aproveito para repensar minhas atitudes. Todos nós recebemos de Deus a oportunidade da vida, mas a forma como ela será vivida, só nós podemos definir, só nós podemos colocar os pontos certos nos locais adequados. Embora seja muito cômodo colocar a responsabilidade de nossas escolhas nas mãos dos outros, isso é apenas uma perda de tempo, porque a história é escrita com nossas atitudes e com nossa postura diante das atitudes do outro e com o modo como encaramos os espinhos encontrados ao longo do caminho. Sofreremos as conseqüências de nossas atitudes. Não adianta orar, pedir a proteção divina, se não nos propusermos a iniciar a mudança em nós. Aprendamos a pontuar nossa vida com as vírgulas da temperança, da justiça, da verdade, do amor. Afinal somos responsáveis por todos os caminhos que tomamos na vida.
Se cairmos, aprendamos a levantar. Importante ter a humildade de pedir ajuda e nos tornarmos novamente criaturas dignas. Aprendamos as lições que ficam dos tropeços.
Por isso, não deixemos que as mágoas ou a mesquinhez pontue a nossa vida. É a nossa vida, são as nossas emoções! E, mais uma vez, lembremos-: “Não importa o que fizeram conosco, o que realmente importa é o que fazemos com o que fizeram conosco!”
Rosa Maria Olimpio