sábado, 13 de junho de 2009

Depoimento do filho

Jornalista 26 anos solteiro




Quando eu era pequeno, me recordo que nossa relação era bem próxima, próxima mesmo, juntamente com a minha irmã, primos e outras crianças. Mãe sempre falava detidamente sobre outras pessoas, da família e amigos, com compreensão e olhar meticuloso sobre características particulares. Ela gosta de signos do zodíaco, coincidências e avisos do tempo, é mística, e me passou o gosto por essas coisas também. À medida que fui crescendo, me tornei mais reservado. Isso foi minha própria mãe quem disse certa vez, em uma de nossas muitas conversas. A saída de casa aos dezessete anos contribuiu para isso. A situação de um amadurecimento “forçado” foi para mim ao mesmo tempo recompensante e difícil, e ela esteve presente nesse ciclo. Dividimos muitos momentos importantes de nossas vidas, embora nos últimos anos minha irmã, por estar ao seu lado, acompanhou muito mais de perto as conquistas e as agruras de minha mãe. Hoje acredito que nossa relação seja boa. Reconheço que ela gostaria de que estivéssemos mais próximos, mas eu prevejo isso para daqui a alguns anos, quando um novo ciclo se fechar. Nessa relação pais e filhos, um ponto importante é que, no período em que nós dois (eu e minha irmã) éramos crianças e, mais tarde, adolescentes, ficávamos muito mais próximos dela do que de meu pai. Nas concepções, nas visões de mundo, no afeto e na sinceridade. De minha parte, com o tempo fui entendendo mais o meu pai, ainda que continue discordando dele em várias questões e, além disso, também minha visão e concepção de mundo foram se formando. De toda forma, o carinho e as características de minha mãe, a formação mesmo, acho que foram se fortalecendo em mim. Acho que é por aí. Eu ainda tenho vontade de registrar gravações com depoimentos dos dois, pai e mãe, para deixar às nossas próximas gerações.

Um comentário:

rosadaserra disse...

Emociono cada vez que leio.
E fico a pensar: o que será que ele diria hoje, 4 anos depois, e agora, pai?
Beijos, filho.

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