terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Língua Portuguesa: Sugestão de sites

1.Atlas Lingüístico do Brasil
http://www.alib.ufba.br/programas.asp

2.corpus representativo da língua portuguesa no século XIX.
http://www.linguaportuguesajf.com.br/

3.Persée
http://www.persee.fr/
Site público com algumas das principais revistas francesas de linguística (todos os números e edições integrais)

4.Estudos Enunciativos da Linguagem

Site do grupo desenvolvido junto à UFRGS, e coordenado pelos professores Dr. Valdir
do Nascimento Flores e Dra. Carmem Luci da Costa Silva.

http://www6.ufrgs.br/eenunciativos/
5.O Projeto Vertentes do Português Rural do Estado da Bahia
http://www.vertentes.ufba.br/
6. Journal of Portuguese Linguistics
http://www.fl.ul.pt/revistas/JPL/JPLweb.htm
7.Site de Psicolingüística
http://www.fcsh.unl.pt/psicolinguistica/index.htm

8.Instituto Brasileiro de Fluência - IBF

Site: http://www.gagueira.org.br
9.Forma Livre
Blog de Lingüística

http://www.formalivre.com/


10.Biblioteca Virtual das Ciências da Linguagem no Brasil
http://www.labeurb.unicamp.br/bvclb/pages/home/lerPagina.bv?id=1


11.CAMINHOS DA LÍNGUA
Caminhos da Língua - o portal da língua brasileira

http://www.caminhosdalingua.com/


12.SOLETRAS
http://www.filologia.org.br/soletras/

SOLETRAS é a Revista do Departamento de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, locado na Faculdade de Formação de Professores (Campus de São Gonçalo), nascida no segundo semestre do ano 2000, juntamente com a criação da Coordenação de Publicações e sua periodização é semestral, com o primeiro número a ser publicado até o final do primeiro período letivo do ano acadêmico da universidade (junho ou julho) e o segundo no final do segundo período (novembro ou dezembro).


13.Enduring VoicesSaving Disappearing Languages
Nearly 80 percent of the world's population speaks only one percent of its languages. When the last speaker of a language dies, the world loses the knowledge that was contained in that language. The goal of the Enduring Voices Project is to document endangered languages and prevent language extinction by identifying the most crucial areas where languages are endangered and embarking on expeditions to:

http://www.nationalgeographic.com/mission/enduringvoices/

14.Linguistics Calendar
http://www.ling.su.se/staff/parkvall/Calendar.html

15.SALA - Sociedade de Lingüística Aplicada
http://www.sala.org.br/site/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1

16.Linguateca
O objectivo da Linguateca, um centro de recursos -- distribuído -- para o processamento computacional da língua portuguesa
http://www.linguateca.pt/

17.Observatório da Língua Portuguesa
O primeiro passo no processo de criação da CPLP foi dado em São Luís do Maranhão, em Novembro de 1989, por ocasião da realização do primeiro encontro dos Chefes de Estado e de Governo dos países de Língua Portuguesa - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe -, a convite do Presidente brasileiro, José Sarney. Na reunião, decidiu-se criar o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que se ocupa da promoção e difusão do idioma comum da Comunidade.
http://www.observatoriolp.com/

18.Português do Brasil

http://www.portuguesdobrasil.net/

19.ReVEL
A Revista Virtual de Estudos da Linguagem - ReVEL - é uma publicação totalmente eletrônica (acessível exclusivamente através da Internet), sem fins lucrativos, que visa à divulgação do conhecimento científico acerca dos estudos lingüísticos, especialmente do Brasil. A ReVEL é a primeira revista de Lingüística exclusivamente on-line com periodicidade regular no Brasil.

http://www.revel.inf.br/

20.Language Bar
Blog gaúcho de Lingüística

http://languagebar.blogsome.com/

21.iLoveLanguages!

iLoveLanguages is a comprehensive catalog of language-related Internet resources. The more than 2400 links at iLoveLanguages have been hand-reviewed to bring you the best language links the Web has to offer. Whether you're looking for online language lessons, translating dictionaries, native literature, translation services, software, language schools, or just a little information on a language you've heard about, iLoveLanguages probably has something to suit your needs.


http://www.ilovelanguages.com/

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Filosofia no Cotidiano - Rubem Alves




Caros professores baianos,

à vocês meu afetuoso abraço e
antecipadas saudades deste encontro
de educadores!
Que nos caminhos da vida, nossos passos
nos levem a um lugar comum.

Rosa Maria Olímpio
UnB/Gestar

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Rubem Alves Saúde Mental



Caros professores, amigos!
Uma mensagem para nossa reflexão.
Abraço afetuoso,
Rosa Maria

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Kremesse (Olegário Mariano)

Foi um dia de kremesse.
Depois de rezá três prece
Pra que os santo me ajudasse,
Deus quis que nós se encontrasse
Pra que nós dois se queresse,
Pra que nós dois se gostasse.


Inté os sinos dizia
Na matriz da freguezia
Que embora o tempo corresse,
Que embora o tempo passasse,
Que nós sempre se queresse,
Que nós sempre se gostasse.


Um dia, na feira, eu disse
Com a voz cheia de meiguice
Nos teus ouvido, bem doce:
Rosinha si eu te falasse...
Si eu te beijasse na face...
Tu me dás-se um beijo? — Dou-se.


E toda a vez que nos vemo,
A um só tempo perguntemo
Tu a mim, eu a vancê:
Quando é que nós se casemo,
Nós que tanto se queremo,
Pro que esperamos pro quê?


Vancê não falou comigo
E eu com vancê, pro castigo,
Deixei de falá também,
Mas, no decorrê dos dia,
Vancê mais bem me queria
E eu mais te queria bem.


— Cabôco, vancê não presta,
Vancê tem ruga na testa,
Veneno no coração.
— Rosinha, vancê me xinga,
Morde a surucucutinga,
Mas fica o rasto no chão.


E de uma vez, (bem me lembro!)
Resto de safra... Dezembro...
Os carro afundando o chão.
Veio um home da cidade
E ao curuné Zé Trindade
Foi pedi a sua mão.


Peguei no meu cravinote
Dei quatro ou cinco pinote
Burricido como o quê,
Jurgando, antes não jurgasse,
Que tu de mim não gostasse,
Quando eu só amo a vancê.


Esperei outra kremesse
Que o seu vigário viesse
Pra que nós dois se casasse.
Mas Deus não quis que assim sesse
Pro mais que nós se queresse


Para os professores/formadores do Gestar
Que fazem da educação a obra prima de suas vidas.
Meu afeto e meu respeito.
Rosa Maria

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Gestar II Mais orientações

Nós precisamos saber como o GESTAR aconteceu, qual a avaliação que os professores fizeram do programa, quais os pontos deveriam ser melhor trabalhados numa outra versão do programa, quais os pontos fortes.

O que mais marcou e que tipo de semente ficou para os professores continuarem o trabalho com autonomia.

Bem,

Temos sempre que lembrar que são dois cursos

1 da UnB - que faz a formação dos formadores
2 do Estado - que faz a formação de seus professores in loco.

Então,

Há critérios do Estado que nós não podemos definir, por isso, eu digo como eu vou fazer e cobrar para vocês se organizarem com os trabalhos finais de vocês para colher as informações para levar para mim.

Eu vou avaliar por meio de

Frequência dos formadores
Portifólio, que a maioria fez blog e estão em dias.
Seminário.

Eu vou averiguar:

Se o formador realmente tem turma
se os conhecimentos ministrados no curso foram de fato aplicados com eficiência
se houve a reflexão sobre a prática durante as oficinas
se o curso privilegiou a reflexão sobre a prática ou se privilegiou a teoria em detrimento da prática.
ou se não discutiu os problemas dos alunos
se discutiu como começou a resolvê-los.

No meu caso não vou recolher os portifólios pois os meus formadores todos tem blogs.
Caso algum não apresente blog no dia do seminário eu exigirei que me envie o portifólio.

Acredito que essas devem ser a orientações que podem nortear o planejamento das oficinas de avaliação.

Um abraço
Rosa Maria

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

SALMO MINEIRO

O sinhô é meu pastô e nada há de me fartá

Ele me faiz caminhá pelos verde capinzá

Ele tamém me leva pros corgos de água carma

Inda que eu tenha qui andá

nos buraco assombrado

lá pelas encruzinhada do capeta

não careço tê medo di nada

a-modo-de-quê Ele é mais forte que o “coisa-ruim”

Ele sempre nos aprepara uma boa bóia

na frente di tudo quanto é maracutaia

E é assim que um dia

quando a gente tivé mais-pra-lá-do-qui-pra-cá

nóis vai morá no rancho do sinhô

pra inté nunca mais se acabá...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Estatutos do homem Thiago de Mello

Gestar de Mato Grosso do Sul

Caros formadores,

Hoje concluímos a última etapa do GestarII de Mato Grosso do Sul.
Nessa caminhada de trabalho, risos, emoções e socialização de práticas pedagógicas,
estamos nos sentindo mais fortalecidos e prontos para continuar a proposta do Gestar.
Vamos de mãos dadas construindo um novo caminho para nossos educadores e para os nossos jovens.

Grata pelo carinho.
Rosa Maria

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Memorial de Eliane Cerqueira

Memorial completo em:

http://elyouliuaparecida.blogspot.com/2009/11/teste.html

Eliane Cerqueira

História de Amor Regina Coeli Rennó




Para que vocês possam fazer bom uso desse texto não-verbal!

Postado por Rosa Maria

caríssima professora!

Gostaria de externar o quanto a sua participação no GESTAR II de Fortaleza foi gratificante para mim.
Amei a sua forma de buscar a harmonização com o universo e uma conexão segura com Deus.
A senhora faz uma enorme diferença na vida de muitos seres humanos e etéreos.

Por favor quando tiver um tempinho visite o meu blog. Tenho feito o possível para alimentá-lo, porém o tempo é curto. Se for possível deixe um comentário, nem que seja um ok.


Um abraço fraterno
Terezinha Melo

Endereço do blog: tekagestar2.blogspot.com.br

domingo, 1 de novembro de 2009

Janete, você coloriu de estrelas o meu chão!

" Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais..." (Rubem Alves)

Afetuoso abraço,
Rosa Maria

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Aos Professores Sulmatogrossenses

Queridos formadores



Está se aproximando a data de nosso encontro.Nos encontraremos nos dias 12 e 13 de Novembro.Aqui estão algumas orientações sobre os passos a serem cumpridos no Seminário de Avaliação.

Serão dois dias de avaliação e não mais de formação, como nas semanas anteriores. Portanto, não teremos mais curso e sim as apresentações de vocês. Para a certificação, farei a mediação das apresentações e a avaliação do que foi solicitado ao longo do ano.

Para isso, vocês devem levar o resultado do que produziram com os cursistas. Isso pode ser em formato de banner, cartaz, powerpoint, etc.

Lembrem-se de que cada formador/coordenador terá APENAS 20 minutos para a exposição oral do que sintetizou para o evento. O uso desse tempo será também objeto de avaliação, pois a habilidade de síntese e a escolha do recurso para a apresentação farão parte do processo avaliativo.

No seminário, vocês deverão levar seus portfólios, com tudo que fizeram até esse dia: aulas preparadas, orientação dos projetos, resultados nas escolas dos seus cursitas, projetos dos cursistas, problemas, fracassos, sucessos, etc, além da biografia, memorial de leitor e auto-avaliação. Assim comprovarão que :

i) executaram as oficinas,

ii) recolheram e avaliaram o produto dos cursistas com relação às lições de casa e

iii) orientaram o projeto do cursista, que deverá ser apresentado como produto no final do programa ao formador, que, por sua vez, nos apresentará como fruto do seu trabalho de orientação.

Lembro que o portifólio pode ser apresentado em formato digital do tipo blog, em CD, DVD ou impresso e é ele que será avaliado acima de tudo.

Caso haja espaço para atividade coletiva, a tarde do segundo dia será destinada para apresentações em conjunto com a Matemática.

Podemos fazer um momento de confraternização e troca de lembranças em um amigo secreto sorteado na hora. Para isso, levem algo para presentear um colega. Algo que lembre sua cidade, por exemplo.

Podemos também fazer uma mostra de trabalhos significativos. Não se esqueçam das câmeras fotográficas para registrarmos esse momento.

Caminhemos! Se houver dúvidas, me escrevam!

Estou certa de que se o Gestar tem sido um sucesso anunciado e se chegamos até aqui é porque vocês vêm conduzindo, em seus municípios, um dos programas de Educação mais efetivos do MEC, por isso estou ansiosa para ouvir os depoimentos e conhecer um pouco mais de seus cursistas e alunos.


Um grande abraço,
Rosa Maria

sábado, 24 de outubro de 2009

Professora Rosa Maria " A rosa"

Rosa é a lagoa serena cantada nos versos de Bandeira.

Rosa tem a infinita sabedoria do mar
concentrada na lagoa límpida e transparente.
Rosa brilha como a lagoa ao sol.
Passa conhecimento, afeto, sabedoria...
Rosa,ficará para sempre a matar nossa sede de conhecimento e de afeto.
Jamais a esqueceremos, nossa flor cor de rosa, nossa flor de amor.

Meu carinho,

Janete/Escada Pernambuco

Rubem Alves "Ama o amor"



Sobre o livro: A menina e o Pássaro encantado"

Meu abraço,
Rosa Maria

Professores das Minas Gerais

Cheguei hoje de Recife onde iniciamos
a trajetória dos Seminários de Avaliação!
Foi excelente!
O Próximo será o de vocês.
Li os blogs de algumas educadoras mineiras e estou
sentindo-me mais fortalecida e encorajada com os novos
rumos da educação em nosso país!
Conhecer os professores cursistas e os alunos desses professores,
só é possível por meio do trabalho sério e comprometido de vocês!
Que cada professor que estiver em sua responsabilidade, sinta-se abraçado por mim.
A vocês, a eles e a cada aluno da nossa Minas Gerais, o meu carinho e o meu respeito.
A educação pode fazer a diferença!
E isso só acontecerá se nós professores acreditarmos
e fizermos a nossa parte.

Rosa Maria Olimpio

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Caros mestres, amigos!

O vídeo traz essa foto que nos remete à beleza e à poesia meio a dor e a agonia.

Abraço,
Rosa Maria

P oesia/fantasia

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Aos meus professores baianos!

Queridos formadores



Está se aproximando a data de nosso encontro.Nos encontraremos nos dias 23 e 24 de Novembro.Aqui estão algumas orientações sobre os passos a serem cumpridos no Seminário de Avaliação para repassá-las a você.

Serão dois dias de avaliação e não mais de formação, como nas semanas anteriores. Portanto, não teremos mais curso e sim as apresentações de vocês. Para a certificação, farei a mediação das apresentações e a avaliação do que foi solicitado ao longo do ano.

Para isso, vocês devem levar o resultado do que produziram com os cursistas. Isso pode ser em formato de banner, cartaz, powerpoint, etc.

Lembrem-se de que cada formador/coordenador terá APENAS 20 minutos para a exposição oral do que sintetizou para o evento. O uso desse tempo será também objeto de avaliação, pois a habilidade de síntese e a escolha do recurso para a apresentação farão parte do processo avaliativo.

No seminário, vocês deverão levar seus portfólios, com tudo que fizeram até esse dia: aulas preparadas, orientação dos projetos, resultados nas escolas dos seus cursitas, projetos dos cursistas, problemas, fracassos, sucessos, etc, além da biografia, memorial de leitor e auto-avaliação. Assim comprovarão que :

i) executaram as oficinas,

ii) recolheram e avaliaram o produto dos cursistas com relação às lições de casa e

iii) orientaram o projeto do cursista, que deverá ser apresentado como produto no final do programa ao formador, que, por sua vez, nos apresentará como fruto do seu trabalho de orientação.

Lembro que o portifólio pode ser apresentado em formato digital do tipo blog, em CD, DVD ou impresso e é ele que será avaliado acima de tudo.

Caso haja espaço para atividade coletiva, a tarde do segundo dia será destinada para apresentações em conjunto com a Matemática.

Podemos fazer um momento de confraternização e troca de lembranças em um amigo secreto sorteado na hora. Para isso, levem algo para presentear um colega. Algo que lembre sua cidade, por exemplo.

Podemos também fazer uma mostra de trabalhos significativos. Não se esqueçam das câmeras fotográficas para registrarmos esse momento.

Caminhemos! Se houver dúvidas, me escrevam!

Estou certa de que se o Gestar tem sido um sucesso anunciado e se chegamos até aqui é porque vocês vêm conduzindo, em seus municípios, um dos programas de Educação mais efetivos do MEC, por isso estou ansiosa para ouvir os depoimentos e conhecer um pouco mais de seus cursistas e alunos.


Um grande abraço,
Rosa Maria

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Língua Vidas em Português

NO FILME "LÍNGUA - VIDAS EM PORTUGUÊS"

DE VICTOR LOPES

FILMADO EM 2001

"No fundo, não estás a viajar por lugares, mas sim por pessoas"

Mia Couto - Escritor moçambicano

"Não há uma língua portuguesa, há línguas em português"

José Saramago




"Língua - Vidas em Português" é um documentário de 105 minutos co-produzido por Brasil e Portugal e filmado em seis países (Brasil, Moçambique, Índia, Portugal, França e Japão). Dirigido por Victor Lopes, o longa-metragem é um mergulho nas muitas histórias das língua portuguesa e na sua permanência entre culturas variadas do planeta. Em "Língua", a lusofania é sobretudo fala, surpreendida do cotidiano de personagens ilustres e anônimos de quatro continentes. Em cada um deles, o português amalgamou deuses, melodias, climas, ritmos. Misturou-se aos alimentos e às paisagens. Foi reinventado centenas de vezes e alimentado por sucessivas de colonizadores, imigrantes e descendentes.

Em Portugal e Moçambique, no Brasil e em Goa, desenham-se os quadrantes de uma herança portuguesa, sempre surpreendente e permanentemente renovada. Acompanhando as trajetórias de seus personagens, e ouvindo suas experiências e sensações, suas memórias e esperanças diante do futuro, o documentário reproduz o movimento de uma língua que ganhou o mundo e que refaz seus caminhos na expectativa de se reencontrar.

Por isso, o filme é um documentário permanentemente em trânsito. Ao entrar e sair da vida dos personagens, o filme desvia-se das suas rotas cotidianas para encontrar cerimônias, casais, locais de trabalho, esquinas e paisagens, traçando retratos reveladores da cultura de cada um dos países visitados.

Entrevistados: José Saramago, Mia Couto, João Ubaldo Ribeiro, Martinho da Vila e MadreDeus.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Professor

Meus queridos,

Todos os dias são nossos. O exercício de educar é tarefa diária.
Porém hoje vamos juntos agradecer o especial talento do qual fomos
dotados!
Sigamos desenhando nosso caminho com as cores e as formas
ditadas pelo amor.



" Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais..." (Rubem Alves)

Afetuoso abraço,
Rosa Maria

domingo, 11 de outubro de 2009

Luto Oficial em Itaguaçu ES

Luto Oficial
por PM Itaguaçu

02/10/2009 12:00

O prefeito de Itaguaçu decretou luto oficial por três dias consecutivos, nas repartições do Poder Executivo Municipal, em razão do falecimento nesta data do servidor JADER ANTÔNIO BARBOSA DE MENEZES, considerando que o falecido era Diretor da Escola Municipal de Ensino Fundamental "Padre Alonso" de Palmeira e prestou relevantes serviços a educação e cultura do Município de Itaguaçu/ES.

A Hora da Estrela

Licença Clarice!
Mas é a Hora da Estrela!
Brilha em outra dimensão
uma estrela de nobre grandeza:
Jader nosso professor de Itaguaçu ES
Brilhava entre nós
Hoje ele brilha no firmamento!
Licença, clarice!
LICENÇA!

Jader no céu

Jader belo.
Jader bom.
Jader sempre de bom humor.

Imagino Jader entrando no céu.
-Licença, meu bom amigo!
E São Pedro estende a mão:
- Entra,Jader.Você não precisa pedir licença.

Rosa Maria Olimpio

Irene no Céu (Manuel Bandeira)

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.



Jader Antonio Meneses

O Carteiro e o Poeta

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

GESTAR Seminário de Acompanhamento

Aos Formadores do Espírito Santo e do Ceará



2ª ETAPA de formação
Olá Pessoal,

Estamos nos aproximando da segunda etapa de formação, para isso pedirei para que se preparem para o nosso encontro.

Preciso que levem:

1 - Alguns portifólios dos professores cursistas para podermos fazer a nossa socialização de experiências; Nâo precisa ser todos, leve por amostragem, um quantitativo que represente a sua turma. Faça a sua escolha pensando naqueles professores que conseguiram fazer uma discussão aproximada da realidade da sala de aula.


2 - As TPs 1, 2 e 6

3 - Levem os planejamentos de vocês e alguma atividade que fizeram para socializar, pois todas as novas idéias são bem-vindas.

4 - Levem as idéias dos projetos que estão sendo construídos, levem também as dúvidas a respeito dos projetos. Levem o material que vocês utilizaram para fazer as oficinas sobre projetos para podermos trocar materiais e idéias.


Um grande abraço,
Rosa Maria

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

GESTAR em Pernambuco!

Meus amados professores Formadores do GESTAR de Pernambuco!

Nosso Seminário de Avaliação acontecerá nos dias 22 e 23 de outubro.
Aguardo ansiosa o resultado do trabalho de vocês, de seus professores cursistas e dos alunos.
A interação entre os pares que atuam na arte de educar são momentos ricos de aprendizagem e de reflexão!

Abraço e até mais!

Rosa Maria

Avaliação um tema sempre atual e necessário...

PEREIRA, Ana Dilma de Almeida. O tratamento do “erro” nas
produções textuais: a revisão e a reescritura como parte do processo de
avaliação formativa. Revista ACOALFAplp: Acolhendo a Alfabetização
nos Países de Língua portuguesa, São Paulo, ano 2, n. 3, 2007. Disponível
em: e ou .
Publicado em: setembro 2007.


Uma sugestão de leitura para todos os professores de Língua Portuguesa.

Publicado por Rosa Maria Olimpio

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Serrinha/2009

SERRINHA
Meu processo de alfabetização

Relembrar o meu processo de aquisição da leitura e da escrita é reviver um momento significativo da minha infância, pois foi muito prazeroso para mim o primeiro contato com as letras. Tive esse primeiro contato através da minha irmã mais velha que já cursava 8ª série. Ela estudava sempre a noite quando todos dormiam. Uma vez que durante o dia muitas crianças brincavam pela casa, pois a nossa família era grande. E eu em vez de dormir ficava com o queixo apoiado no ombro dela, observando as leituras e as atividades escritas que ela fazia, as vezes chegava a dormir nessa posição.
Desta forma ao chegar a escola fui matriculada em uma turma que a série era Alfa I por causa da minha idade e na turma do Alfa II ficariam as crianças mais velhas, mas como eu já sabia ‘’ler’’ que hoje compreendo que sabia apenas decodificar e escrever os símbolos.Fui transferida para a turma Alfa II.
Fui alfabetizada com o método casinha feliz e tinha como professora Dagnalva,na 1ª série Daildete Lima e da 2ª à 4ª série Maria Madalena Santos Almeida Mota que era uma excelente professora,que mesmo trabalhando com método tradicional ela respeitava a individualidade de cada aluno e buscava conhecer a historia de vida de cada um de nós e nos orientava nem só no tocante a conteúdos escolares, mas para a vida dentro e fora da escola.
Não tive nenhuma dificuldade com meu processo de alfabetização e era uma das melhores alunas da turma, sempre gostei muito de ler e de estudar.
Nos meus primeiros anos de escola ouvia muitos contos como branca de neve e os sete anões, chapeuzinho vermelho, cinderela e outros. Sentia muito prazer em ouvir,ler e por isso me envolvia completamente ficando horas e horas lendo, vivenciando aquelas historias.
Lembro carinhosamente de livros que li nas primeiras séries do ensino fundamental como Meu pé de Laranja Lima, Heide,Rebeca do vale do sol, Poliana menina e Xisto,o menino do dedo verde.E atualmente de forma engraçada descubro que tenho dúvidas se foram duas obras ou se Xisto também tinha o dedo verde,mas como foi uma de minhas leituras prediletas eu não tenho interesse em recorrer a pesquisas e desmanchar a minha fantasia.
Essas leituras foram tão marcantes em minha vida que no momento consigo lembrar de passagens dessas obras lidas.
Li também alguns da série vaga lume como: A ilha Perdida,Zezinho dono da porquinha preta e Sozinha no mundo,recordo-me que na leitura dessa última obra tinha momentos em que eu me sentia a própria personagem apertando seus bichinhos de pelúcia e se escondendo dentro das vidraças,chegava a sentir meu corpo apertado pela falta de espaço das tais vidraças.E saliento que tudo isso para mim foi e continua sendo mágico.
Diante do exposto comecei a perceber que quem lia tinha a oportunidade de conhecer lugares e personagens fantásticos e diferentes.Nessas leituras encontrei lições de vida muitas vezes inesquecíveis.
Concordo com Ricardo Azevedo (2004) quando em seu poema Aula de Leitura ele a descreve assim:




A leitura é muito mais
Do que decifrar palavras
Quem quiser parar pra ver
Pode até surpreender
Vai ler nas folhas do chão
Se é outono ou se é verão
Nas ondas solta do mar
Se é hora de navegar
E no jeito da pessoa
Se trabalha ou se é à-toa
Na cara do lutador
Quando está com dor
Vai ler na casa de alguém
O gosto que o dono tem
E so pelo latido do cachorro
Se é melhor gritar socorro
E na cinza da fumaça
Tamanha desgraça
E no tom que sopra o vento
Se corre o barco ou se vai lento
E também no calor da fruta
E no cheiro da comida
E no ronco do motor
E nos dentes do cavalo
E na pele da pessoa
E no brilho do sorriso
Vai ler nas nuvens do céu
Vai ler na palma da Mão
Vai ler até nas estrelas
E no som do coração
Uma arte que dá medo
É a de ler no olhar
Pois os olhos têm segredo
Difíceis de decifrar












Meu processo de alfabetização

Relembrar o meu processo de aquisição da leitura e da escrita é reviver um momento significativo da minha infância, pois foi muito prazeroso para mim o primeiro contato com as letras. Tive esse primeiro contato através da minha irmã mais velha que já cursava 8ª série. Ela estudava sempre a noite quando todos dormiam. Uma vez que durante o dia muitas crianças brincavam pela casa, pois a nossa família era grande. E eu em vez de dormir ficava com o queixo apoiado no ombro dela, observando as leituras e as atividades escritas que ela fazia, as vezes chegava a dormir nessa posição.
Desta forma ao chegar a escola fui matriculada em uma turma que a série era Alfa I por causa da minha idade e na turma do Alfa II ficariam as crianças mais velhas, mas como eu já sabia ‘’ler’’ que hoje compreendo que sabia apenas decodificar e escrever os símbolos.Fui transferida para a turma Alfa II.
Fui alfabetizada com o método casinha feliz e tinha como professora Dagnalva,na 1ª série Daildete Lima e da 2ª à 4ª série Maria Madalena Santos Almeida Mota que era uma excelente professora,que mesmo trabalhando com método tradicional ela respeitava a individualidade de cada aluno e buscava conhecer a historia de vida de cada um de nós e nos orientava nem só no tocante a conteúdos escolares, mas para a vida dentro e fora da escola.
Não tive nenhuma dificuldade com meu processo de alfabetização e era uma das melhores alunas da turma, sempre gostei muito de ler e de estudar.
Nos meus primeiros anos de escola ouvia muitos contos como branca de neve e os sete anões, chapeuzinho vermelho, cinderela e outros. Sentia muito prazer em ouvir,ler e por isso me envolvia completamente ficando horas e horas lendo, vivenciando aquelas historias.
Lembro carinhosamente de livros que li nas primeiras séries do ensino fundamental como Meu pé de Laranja Lima, Heide,Rebeca do vale do sol, Poliana menina e Xisto,o menino do dedo verde.E atualmente de forma engraçada descubro que tenho dúvidas se foram duas obras ou se Xisto também tinha o dedo verde,mas como foi uma de minhas leituras prediletas eu não tenho interesse em recorrer a pesquisas e desmanchar a minha fantasia.
Essas leituras foram tão marcantes em minha vida que no momento consigo lembrar de passagens dessas obras lidas.
Li também alguns da série vaga lume como: A ilha Perdida,Zezinho dono da porquinha preta e Sozinha no mundo,recordo-me que na leitura dessa última obra tinha momentos em que eu me sentia a própria personagem apertando seus bichinhos de pelúcia e se escondendo dentro das vidraças,chegava a sentir meu corpo apertado pela falta de espaço das tais vidraças.E saliento que tudo isso para mim foi e continua sendo mágico.
Diante do exposto comecei a perceber que quem lia tinha a oportunidade de conhecer lugares e personagens fantásticos e diferentes.Nessas leituras encontrei lições de vida muitas vezes inesquecíveis.
Concordo com Ricardo Azevedo (2004) quando em seu poema Aula de Leitura ele a descreve assim:




A leitura é muito mais
Do que decifrar palavras
Quem quiser parar pra ver
Pode até surpreender
Vai ler nas folhas do chão
Se é outono ou se é verão
Nas ondas solta do mar
Se é hora de navegar
E no jeito da pessoa
Se trabalha ou se é à-toa
Na cara do lutador
Quando está com dor
Vai ler na casa de alguém
O gosto que o dono tem
E so pelo latido do cachorro
Se é melhor gritar socorro
E na cinza da fumaça
Tamanha desgraça
E no tom que sopra o vento
Se corre o barco ou se vai lento
E também no calor da fruta
E no cheiro da comida
E no ronco do motor
E nos dentes do cavalo
E na pele da pessoa
E no brilho do sorriso
Vai ler nas nuvens do céu
Vai ler na palma da Mão
Vai ler até nas estrelas
E no som do coração
Uma arte que dá medo
É a de ler no olhar
Pois os olhos têm segredo
Difíceis de decifrar












Meu processo de alfabetização

Relembrar o meu processo de aquisição da leitura e da escrita é reviver um momento significativo da minha infância, pois foi muito prazeroso para mim o primeiro contato com as letras. Tive esse primeiro contato através da minha irmã mais velha que já cursava 8ª série. Ela estudava sempre a noite quando todos dormiam. Uma vez que durante o dia muitas crianças brincavam pela casa, pois a nossa família era grande. E eu em vez de dormir ficava com o queixo apoiado no ombro dela, observando as leituras e as atividades escritas que ela fazia, as vezes chegava a dormir nessa posição.
Desta forma ao chegar a escola fui matriculada em uma turma que a série era Alfa I por causa da minha idade e na turma do Alfa II ficariam as crianças mais velhas, mas como eu já sabia ‘’ler’’ que hoje compreendo que sabia apenas decodificar e escrever os símbolos.Fui transferida para a turma Alfa II.
Fui alfabetizada com o método casinha feliz e tinha como professora Dagnalva,na 1ª série Daildete Lima e da 2ª à 4ª série Maria Madalena Santos Almeida Mota que era uma excelente professora,que mesmo trabalhando com método tradicional ela respeitava a individualidade de cada aluno e buscava conhecer a historia de vida de cada um de nós e nos orientava nem só no tocante a conteúdos escolares, mas para a vida dentro e fora da escola.
Não tive nenhuma dificuldade com meu processo de alfabetização e era uma das melhores alunas da turma, sempre gostei muito de ler e de estudar.
Nos meus primeiros anos de escola ouvia muitos contos como branca de neve e os sete anões, chapeuzinho vermelho, cinderela e outros. Sentia muito prazer em ouvir,ler e por isso me envolvia completamente ficando horas e horas lendo, vivenciando aquelas historias.
Lembro carinhosamente de livros que li nas primeiras séries do ensino fundamental como Meu pé de Laranja Lima, Heide,Rebeca do vale do sol, Poliana menina e Xisto,o menino do dedo verde.E atualmente de forma engraçada descubro que tenho dúvidas se foram duas obras ou se Xisto também tinha o dedo verde,mas como foi uma de minhas leituras prediletas eu não tenho interesse em recorrer a pesquisas e desmanchar a minha fantasia.
Essas leituras foram tão marcantes em minha vida que no momento consigo lembrar de passagens dessas obras lidas.
Li também alguns da série vaga lume como: A ilha Perdida,Zezinho dono da porquinha preta e Sozinha no mundo,recordo-me que na leitura dessa última obra tinha momentos em que eu me sentia a própria personagem apertando seus bichinhos de pelúcia e se escondendo dentro das vidraças,chegava a sentir meu corpo apertado pela falta de espaço das tais vidraças.E saliento que tudo isso para mim foi e continua sendo mágico.
Diante do exposto comecei a perceber que quem lia tinha a oportunidade de conhecer lugares e personagens fantásticos e diferentes.Nessas leituras encontrei lições de vida muitas vezes inesquecíveis.
Concordo com Ricardo Azevedo (2004) quando em seu poema Aula de Leitura ele a descreve assim:




A leitura é muito mais
Do que decifrar palavras
Quem quiser parar pra ver
Pode até surpreender
Vai ler nas folhas do chão
Se é outono ou se é verão
Nas ondas solta do mar
Se é hora de navegar
E no jeito da pessoa
Se trabalha ou se é à-toa
Na cara do lutador
Quando está com dor
Vai ler na casa de alguém
O gosto que o dono tem
E so pelo latido do cachorro
Se é melhor gritar socorro
E na cinza da fumaça
Tamanha desgraça
E no tom que sopra o vento
Se corre o barco ou se vai lento
E também no calor da fruta
E no cheiro da comida
E no ronco do motor
E nos dentes do cavalo
E na pele da pessoa
E no brilho do sorriso
Vai ler nas nuvens do céu
Vai ler na palma da Mão
Vai ler até nas estrelas
E no som do coração
Uma arte que dá medo
É a de ler no olhar
Pois os olhos têm segredo
Difíceis de decifrar












Meu processo de alfabetização

Relembrar o meu processo de aquisição da leitura e da escrita é reviver um momento significativo da minha infância, pois foi muito prazeroso para mim o primeiro contato com as letras. Tive esse primeiro contato através da minha irmã mais velha que já cursava 8ª série. Ela estudava sempre a noite quando todos dormiam. Uma vez que durante o dia muitas crianças brincavam pela casa, pois a nossa família era grande. E eu em vez de dormir ficava com o queixo apoiado no ombro dela, observando as leituras e as atividades escritas que ela fazia, as vezes chegava a dormir nessa posição.
Desta forma ao chegar a escola fui matriculada em uma turma que a série era Alfa I por causa da minha idade e na turma do Alfa II ficariam as crianças mais velhas, mas como eu já sabia ‘’ler’’ que hoje compreendo que sabia apenas decodificar e escrever os símbolos.Fui transferida para a turma Alfa II.
Fui alfabetizada com o método casinha feliz e tinha como professora Dagnalva,na 1ª série Daildete Lima e da 2ª à 4ª série Maria Madalena Santos Almeida Mota que era uma excelente professora,que mesmo trabalhando com método tradicional ela respeitava a individualidade de cada aluno e buscava conhecer a historia de vida de cada um de nós e nos orientava nem só no tocante a conteúdos escolares, mas para a vida dentro e fora da escola.
Não tive nenhuma dificuldade com meu processo de alfabetização e era uma das melhores alunas da turma, sempre gostei muito de ler e de estudar.
Nos meus primeiros anos de escola ouvia muitos contos como branca de neve e os sete anões, chapeuzinho vermelho, cinderela e outros. Sentia muito prazer em ouvir,ler e por isso me envolvia completamente ficando horas e horas lendo, vivenciando aquelas historias.
Lembro carinhosamente de livros que li nas primeiras séries do ensino fundamental como Meu pé de Laranja Lima, Heide,Rebeca do vale do sol, Poliana menina e Xisto,o menino do dedo verde.E atualmente de forma engraçada descubro que tenho dúvidas se foram duas obras ou se Xisto também tinha o dedo verde,mas como foi uma de minhas leituras prediletas eu não tenho interesse em recorrer a pesquisas e desmanchar a minha fantasia.
Essas leituras foram tão marcantes em minha vida que no momento consigo lembrar de passagens dessas obras lidas.
Li também alguns da série vaga lume como: A ilha Perdida,Zezinho dono da porquinha preta e Sozinha no mundo,recordo-me que na leitura dessa última obra tinha momentos em que eu me sentia a própria personagem apertando seus bichinhos de pelúcia e se escondendo dentro das vidraças,chegava a sentir meu corpo apertado pela falta de espaço das tais vidraças.E saliento que tudo isso para mim foi e continua sendo mágico.
Diante do exposto comecei a perceber que quem lia tinha a oportunidade de conhecer lugares e personagens fantásticos e diferentes.Nessas leituras encontrei lições de vida muitas vezes inesquecíveis.
Concordo com Ricardo Azevedo (2004) quando em seu poema Aula de Leitura ele a descreve assim:




A leitura é muito mais
Do que decifrar palavras
Quem quiser parar pra ver
Pode até surpreender
Vai ler nas folhas do chão
Se é outono ou se é verão
Nas ondas solta do mar
Se é hora de navegar
E no jeito da pessoa
Se trabalha ou se é à-toa
Na cara do lutador
Quando está com dor
Vai ler na casa de alguém
O gosto que o dono tem
E so pelo latido do cachorro
Se é melhor gritar socorro
E na cinza da fumaça
Tamanha desgraça
E no tom que sopra o vento
Se corre o barco ou se vai lento
E também no calor da fruta
E no cheiro da comida
E no ronco do motor
E nos dentes do cavalo
E na pele da pessoa
E no brilho do sorriso
Vai ler nas nuvens do céu
Vai ler na palma da Mão
Vai ler até nas estrelas
E no som do coração
Uma arte que dá medo
É a de ler no olhar
Pois os olhos têm segredo
Difíceis de decifrar












Meu processo de alfabetização

Relembrar o meu processo de aquisição da leitura e da escrita é reviver um momento significativo da minha infância, pois foi muito prazeroso para mim o primeiro contato com as letras. Tive esse primeiro contato através da minha irmã mais velha que já cursava 8ª série. Ela estudava sempre a noite quando todos dormiam. Uma vez que durante o dia muitas crianças brincavam pela casa, pois a nossa família era grande. E eu em vez de dormir ficava com o queixo apoiado no ombro dela, observando as leituras e as atividades escritas que ela fazia, as vezes chegava a dormir nessa posição.
Desta forma ao chegar a escola fui matriculada em uma turma que a série era Alfa I por causa da minha idade e na turma do Alfa II ficariam as crianças mais velhas, mas como eu já sabia ‘’ler’’ que hoje compreendo que sabia apenas decodificar e escrever os símbolos.Fui transferida para a turma Alfa II.
Fui alfabetizada com o método casinha feliz e tinha como professora Dagnalva,na 1ª série Daildete Lima e da 2ª à 4ª série Maria Madalena Santos Almeida Mota que era uma excelente professora,que mesmo trabalhando com método tradicional ela respeitava a individualidade de cada aluno e buscava conhecer a historia de vida de cada um de nós e nos orientava nem só no tocante a conteúdos escolares, mas para a vida dentro e fora da escola.
Não tive nenhuma dificuldade com meu processo de alfabetização e era uma das melhores alunas da turma, sempre gostei muito de ler e de estudar.
Nos meus primeiros anos de escola ouvia muitos contos como branca de neve e os sete anões, chapeuzinho vermelho, cinderela e outros. Sentia muito prazer em ouvir,ler e por isso me envolvia completamente ficando horas e horas lendo, vivenciando aquelas historias.
Lembro carinhosamente de livros que li nas primeiras séries do ensino fundamental como Meu pé de Laranja Lima, Heide,Rebeca do vale do sol, Poliana menina e Xisto,o menino do dedo verde.E atualmente de forma engraçada descubro que tenho dúvidas se foram duas obras ou se Xisto também tinha o dedo verde,mas como foi uma de minhas leituras prediletas eu não tenho interesse em recorrer a pesquisas e desmanchar a minha fantasia.
Essas leituras foram tão marcantes em minha vida que no momento consigo lembrar de passagens dessas obras lidas.
Li também alguns da série vaga lume como: A ilha Perdida,Zezinho dono da porquinha preta e Sozinha no mundo,recordo-me que na leitura dessa última obra tinha momentos em que eu me sentia a própria personagem apertando seus bichinhos de pelúcia e se escondendo dentro das vidraças,chegava a sentir meu corpo apertado pela falta de espaço das tais vidraças.E saliento que tudo isso para mim foi e continua sendo mágico.
Diante do exposto comecei a perceber que quem lia tinha a oportunidade de conhecer lugares e personagens fantásticos e diferentes.Nessas leituras encontrei lições de vida muitas vezes inesquecíveis.
Concordo com Ricardo Azevedo (2004) quando em seu poema Aula de Leitura ele a descreve assim:




A leitura é muito mais
Do que decifrar palavras
Quem quiser parar pra ver
Pode até surpreender
Vai ler nas folhas do chão
Se é outono ou se é verão
Nas ondas solta do mar
Se é hora de navegar
E no jeito da pessoa
Se trabalha ou se é à-toa
Na cara do lutador
Quando está com dor
Vai ler na casa de alguém
O gosto que o dono tem
E so pelo latido do cachorro
Se é melhor gritar socorro
E na cinza da fumaça
Tamanha desgraça
E no tom que sopra o vento
Se corre o barco ou se vai lento
E também no calor da fruta
E no cheiro da comida
E no ronco do motor
E nos dentes do cavalo
E na pele da pessoa
E no brilho do sorriso
Vai ler nas nuvens do céu
Vai ler na palma da Mão
Vai ler até nas estrelas
E no som do coração
Uma arte que dá medo
É a de ler no olhar
Pois os olhos têm segredo
Difíceis de decifrar

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Paulo Freire Teoria na educação

“É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz. de tal forma, que num dado momento, tua fala seja a tua prática”.

Teoria na Educação só faz sentido se puder ser colocada em prática.Se fizer a diferença na vida do homem, Essa é a Educação que nos interessa.

Rosa Maria Olimpio

Cartas Poéticas!

As cartas trocadas entre importantes escritores brasileiros, como Machado de Assis e José de Alencar, são tema de seminário que tem início hoje no Centro Cultural do Banco do Nordeste.

Meu caro, vírgula. Depois da vírgula, um texto em primeira pessoa, delicado ou agressivo, próximo ou distante, pleno de comentários sobre um trabalho, um texto, um encontro. Quando os endereços @ não existiam, a carta era uma das formas de comunicação mais recorrente que os escritores lançavam mão (claro, não só eles). Dentro de um envelope, um autor destilava elogios a outro, sugeria mudanças nas linhas enviadas, discutia a vida política e social do País, criticava colegas, comentava a própria rua. Ou segredava confidências. Mário de Andrade, por exemplo, deixou claro que suas cartas só poderiam ser publicadas 50 anos após a sua morte.

E o que mais cabe dentro de uma carta? ``No livro, a gente observa muito a linguagem, o estilo, os recursos que o escritor lança mão. Na carta, a gente vai ver uma dimensão da pessoa, daquele homem ou mulher como ser humano. Como ele se revela``, conta a professora do curso de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC), Sarah Diva Ipiranga, uma das organizadoras do Correio literário: a literatura brasileira através das cartas, seminário avançado que tem início hoje no Centro Cultural do BNB, às 18h. Ao lado dela, a também professora Solange Kate Araújo Vieira montou a programação que, a cada dia, convida dois teóricos ou escritores para discutir um autor da literatura nacional.

Hoje, Vera Moraes e Suzana Frutuoso dão início ao curso discutindo O sentimento da nação: José de Alencar e Machado de Assis. Para Sarah, Alencar e Machado ``pensaram o País através de sua correspondência, fizeram a elaboração de um projeto de nacionalidade entre suas missivas``. O movimento segue com os autores discutidos nos outros dias, como Fernando Sabino e Clarice Lispector, que continuaram a discussão no panorama da arte. ``Eles discutem também os livros que estão escrevendo. Sabino reescreve algumas passagens dos livros de Clarice... Para entender o processo de criação, tem que entender a correspondência dos escritores``, indica Sarah.

``Existia nas correspondências um pensamento estético e de época. Nelas, a gente percebe que havia uma solidariedade muito grande entre os escritores, e uma mostra do que o movimento literário fazia crescer. Era uma crítica consciente, séria``, destaca Solange. Essa prática, no entanto, é recente. Segundo as professoras, apenas a partir dos anos 1980 do século passado é que a carta começa a se infiltrar na academia. E enquanto isso acontece, o mercado editorial apresenta cada vez mais publicações do gênero. Mais elementos para tratar da poética desses autores. ``Tem também a ver com esse movimento que não é só literário, de compreender as formas culturais em sua multiplicidade. Com as cartas, se procura outras margens``, acredita Sarah.

É possível se debruçar sobre a literatura missivista sem se tornar nostálgica? ``A carta é nostálgica mesmo porque era de um tempo em que os amigos podiam obedecer a esse ritual de postar uma carta. Mas é algo que pode ser retomado. Por que não conversar com as pessoas? E-mail é muito rápido``, lamenta Sarah. ``O correio eletrônico não funciona tão bem, não há uma espontaneidade, nem uma verdade. A gente percebe o quanto havia de sinceridade nas cartas. Fora que a correspondência eletrônica não é tão segura quanto a que se fazia através da carta``, emenda Solange.

Mesmo assim, as duas concordam que não é possível, atualmente, viver sem o e-mail. ``Se, pelo menos, se harmonizasse a palavra escrita e refletida no correio eletrônico, e com mais espontaneidade e liberdade, aí sim. Se esse correio fosse mais reflexivo, não tão abreviado...``, deseja Solange. Duas formas de comunicação, cada uma oferecendo suas possibilidade? Quem sabe. Sarah conta que ``ainda hoje mantenho a prática de escrever cartas. E e-mails``.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Memorial de Eliane Cerqueira

Nasci em São Paulo em uma década difícil, após o golpe militar, nos chamados anos rebeldes, foi em 1965 que cheguei, parecia não ser o momento, mas assim quis o destino.
Filha de retirantes nordestinos, pai baiano e mãe paraibana encontraram-se para dar a luz a uma paulistana. Ano de recessão e desemprego. Durante minha gestação, pai perde o emprego, trinta dias após parição é a vez da mãe, desilusão!
Quem era um, agora são três, sonhos no bolso, necessário retorno três meses após meu nascimento. Família em festa no interior da Bahia, chegada do filho, nora e a primeira netinha. Felicidade, família completa, sorte minha!
Fui crescendo nos braços de bisavó, vovó, vovô e tia. Ouvindo cantigas de ninar, ouvindo histórias para dormir e aprendendo a reza
Sentávamos na varanda no final da tarde, minha bisa em uma cadeira, eu, minhas irmãs mais novas e algumas meninas da rua para ouvir histórias de assombração (as preferidas), de fadas e animais que falam. Esses momentos não durariam muito, assim quis o destino.
Meus pais se separaram, tempos difíceis, minha mãe fugiu para Paraíba, nos levando as escondidas, fugimos de navio, para não deixar marcas no caminho.
Adeus! Fadas encantadas, Lobisomem, Assombração. Adeus! Burrinho falante, Cavalo voador, adeus! Adeus, professorinhas da escola perto de casa do B-A-BA com docinhos. Bonequinhas, meus brinquedinhos, adeus!

Agora é a lei da palmatória, se não aprender, “bolo” na mão ! E aquele “H” difícil de fazer, quantos dias sem recreio, de castigo. Ler é ruim, dói muito, é sofrido! “Ah! Que saudade que não tenho dos meus oito anos!
Lembro-me de cartilhas, apenas, não lembro de livrinhos de histórias, foi um tumulto meus primeiros anos de escola. Alfabetizanda em três Estados do Brasil, Bahia, Paraíba e por último São Paulo.
Na década de setenta retornamos para São Paulo, minha mãe, eu e minhas irmãs, anos terríveis. Mãe para a fábrica (mão operária da metalúrgica), cada irmã em uma casa de amigos de mãe. Eu fiquei mais distante delas, fui morar em uma casa de uma família muito grande. Para pagar o favor da moradia, era preciso trabalhar, ajudar nas tarefas , varrer, passar, encerar, subir em banquinhos para alcançar os pratos na pia e lavar. Brincar? Não pode! Mas sabia que uma fada apareceria, um dia!
Lá na Bahia, Minha bisa foi morar com os anjos! Adeus, adeus! A notícia chegou, mas mãe guardou.
Um ano morando distante de minhas irmãs... Cadernos e livros compartilhados com coleguinhas generosos.
Ano de muito trabalho e pouco lazer! Distante de minhas irmãs e de tudo que era bom. No ano seguinte, mãe aluga uma casa e vamos ficar juntas. Eu com 9 anos daria conta de tudo, das tarefas domésticas, dos cuidados com minhas irmãs e com seus estudos. Fomos matriculadas em uma escola grande: “Escola Estadual Professor Eusébio de Paula Marcondes”,
Íamos juntas para a escola, não muito longe de casa, voltávamos juntas, brincávamos e juntas também brigávamos. Brincava de professora com elas, ensina tudo que aprendia e a gente até sorria.
Nessa época conhecia a “Turma da Mônica” de Maurício de Sousa. Que ganhamos de uma tia, irmã de mãe. Os dias pareciam mais coloridos, quase como nas histórias em quadrinhos. Esse momento duraria pouco também!
Um acidente, um ônibus, um atropelamento. Meses longe da escola, dos gibis, só o desenho animado poderia me animar. Muita censura, pouco para assistir! “Vila Sésamo” em preto e branco. Bom lembrar !
Um ano escolar perdido, colegas para encontrar, o retorno. Recuperar o tempo perdido. “Saci Pererê , Os Três Porquinhos, Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, a Bruxa Malvada!” Voltei aos contos de fadas, eles me abraçaram com carinho. Na 3ª série, professora carinhosa. Lia tudo com vontade, livros coloridos, os da escola. Parecia até criança, mas com dez anos, criança não era.
Meus avôs paternos pediram e mãe deixou que passássemos as férias na Bahia. Dias felizes aqueles. Dias quentes e noites mornas de janeiro. Cheiro de doce no ar, colo de vovó, brinquedos, cabelos nas tranças, brincadeira de roda, amigas da infância. Era muito bom para voltar! As férias acabariam! Recebemos autorização para ficar.
Novos amigos, nova escola, professoras tias, professoras vizinhas, as histórias de volta. O Sítio do Pica-Pau Amarelo no final das tardes. “Como era doce aquele sonhar!” Eu sabia que as fadas viriam um dia!
No ano seguinte, minha irmã caçula chega com minha mãe para passar as férias. A mãe volta, mas a caçula fica e recupera a infância que parecia perdida.
As histórias continuaram mais prazerosas, sem medos, sem sustos. A ficção vinha tranqüila, alimentar minha imaginação: Alice no país das Maravilhas, O Pequeno Príncipe, Rapunzel, entre outros. Agora, estava em minha casa, na cidade de São Felipe na Bahia. Assim foi passando a meninice.
Na adolescência, tive aula com professor Silvio, ele nos apresentou José de Alencar, “Cinco Minutos”, me fez sonhar. Depois “Senhora”, a Virgem dos lábios de mel, Iracema, assim queria ser chamada. Machado de Assis foi chegando devagar, por isso fiquei apaixonada. Não demorou, Bandeira chegou, depois Drummond, mas antes deles muitas poesias de amor.
Em um diário escrevia durante a adolescência, mas o tempo levou as lembranças, as primeiras marcas das leituras de infância e meus primeiros versos de amor.
Fiz o curso de Magistério em São Felipe, ai começou outra missão que estava sendo preparada desde menina, em brincadeira de criança, quando era a professora de minhas irmãs. Conclui o curso em 1984, Fui para São Paulo no ano seguinte e logo comecei a lecionar.
Professora substituta da escola Estadual Professor Eusébio de Paula Marcondes. Ensinava a 1ª e 2ª séries, as crianças adoravam aulas com histórias... Anos depois, a faculdade, antes disso, muita dificuldade! Foi preciso deixar de lado o Magistério, pois o que ganhava na educação não dava conta da minha educação!
Nessa época apareceu um Anjo para me ajudar, estudávamos juntos e muitas leitura para compartilhar, professor de história ele se tornaria. Nosso casamento aconteceu. Faculdade de Letras concluída, professora contratada para 5ª e 6ª series, 7ª. e 8ª,mais tarde, supletivo noturno e por último o Ensino Médio na mesma escola. Nessa época fiz um curso de teatro: ler para dramatizar, meus alunos só iam ganhar: “A Verdadeira História de Cinderela – comedia”, “Morte e Vida Severina”, “O Auto da Barca do Inferno”, saindo dos livros para a vida (peças apresentadas pelo alunos para a comunidade). Quanta diversão vivemos juntos! Líamos juntos a coleção Vaga-Lume da editora ática entre outros que eu ganhava.
Nos anos seguintes veio o curso de Pedagogia, logo após me tornei vice-diretora da mesma escola. A biblioteca ganha vida! No ano seguinte assumi a direção geral, chegou a vez do cultural: Festas Juninas e ateliê de Educação Artística, Projetos de Leitura saindo do papel. Esses momentos não durariam muito, eu já sabia. Eu desejava muito voltar para a Bahia!
Aqui cheguei no final de 1996, no bolso algum dinheiro, na cabeça muitas idéias que não poderiam ser colocadas em práticas. Escolas particulares, quantas particularidades! Concursos: Escolas Municipais e Estaduais, quantas dificuldades! Fui me adaptando... Procurando aprender, ler mais, para ensinar melhor. Fiz duas Especializações, Leitura e Produção Textual na Escola, foi a primeira, em 2003. Muitas ações a partir daí aconteceram. Nessa ocasião conheci Professor Doutor Odilon Pinto de Mesquita Filho na UESC, que me apresentou a teoria Análise do Discurso e muito leitura a partir daí. “É como diz Ezequiel Theodoro “As competências de leitura crítica não aparecem automaticamente: precisam ser ensinadas, incentivadas e dinamizadas pelas escolas no sentido de que os estudantes, desde as séries iniciais, desenvolvam atitudes perante os materiais escritos. (1998 p.27) ” Daí a importância de professor, Odilon na minha vida, pois exigia de mim um posicionamento crítico diante do escrito, não deveria concordar com tudo, mas teria que estar fundamentada para isso. Esse exercício não tive na infância. E o Professor Doutor Luiz Percival Leme Britto aprofundou nossos conhecimento sobre os estudos de Sírio Possenti. Motivada por esses dois fui ao Congresso de Leitores do Brasil na UNICAMP(COLE), conheci João Wanderley Geraldi, Ezequiel Theodoro, e Eni Orlandi, e muitos outros. Nossa que mundo ! Fui ao meu primeiro GELNE (Grupo de Estudos de Linguistas do Nordeste), na Paraíba com professor Odilon, apresentei uma pesquisa sobre “O Discurso sobre o Cangaceiro no Romance Fogo Morto” Foi maravilhoso fazer essa homenagem a esse autor paraibano. Conhecia Professora Ingedore V. Koch nesse encontro, tive a oportunidade de ouvir seus ensinamentos e a partir daí me interessar mais por suas obras (ela lembrou muito minha bisa). A minha segunda especialização foi muito especial: Educação de Jovens e Adultos, professor Odilon continuava me ajudando e indicando leituras. Conheci o professor Francisco de Souza que foi amigo e seguidor de Paulo Freire. Imaginem as leituras a partir daí. O legado deixado por ele foi importante em minha caminhada. E outros cursos foram surgindo no caminho, até que chegou o GESTAR, mas a estrada é longa, as dificuldades tantas é preciso caminhar.
E, agora encontro Professora Rosa Maria Olímpio, que me proporciona essa viagem no tempo, fazendo vasculhar os cantinhos da minha alma, para que eu documentasse momentos tão importantes da minha vida e assim ter certeza que não estou só. Eu sou o outro: sou minha família, meus amigos, meus professores. Meus alunos e meus livros. E Magda diz: “A leitura é uma interação verbal de indivíduo e indivíduos socialmente determinados. O leitor de um lado – com o seu universo, com o seu lugar na estrutura social, suas relações com o mundo e com os outros - e, de outro lado, o autor – seu universo, seu lugar na estrutura social, suas relações com o mundo e com os outros . Entre autor e leitor há uma enunciação ou diálogo.”(1998, p.87)
E aqui estou, tentando seduzir, encantar, motivar, entregando passagens para a viagem ao mundo encantado da leitura e nesse diálogo, procurar respeitar para amar mais o outro.

VARIANTES LINGUÍSTICAS!

Em nossa mais recente oficina com os professores cursistas realizamos estudos
sobre variantes lingüísticas. ( Teoria e prática)Fomos auxiliados pelo material sugerido pela professora Rosinha Olimpio, da UnB. Os vídeos e textos fizeram maior sucesso entre os professores. Depois, fizemos a leitura e análise de aspectos isófonos, isótopos, isoléxicos e isomorfos dos textos “O assalto” e do texto “Quem não tem emelho, ximba!”.Estudando a teoria aliada à´prática pedagógica criamos um ambiente de interação da aprendizagem e inúmeras sugestões de atividades foram socializadas para que os professores cursistas pudessem desenvolver um trabalho significativo com seus alunos em sala de aula.

Postado por: Professor Péricles Matias dos Santos
Ibirapitanga-BA

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Primeira Semana de Formação do GESTAR (13 a 17 de julho )

MENINO BRINCA

Brinca com as palavras
A bola subiu e quebrou a vidraça!
Prá...prá... prá...
Corre para lá,
Corre para cá,
Menino na rua
Pula e brinca Menino escreve:
“O pipa no ar
Colorindo o céu.
O sol sorriu!”
“Risco de vermelho”
Papel amassado
Triste em um canto,
Medo de ser feliz!

(Em colaboração com o grupo: Eliane Cerqueira)

Enviado por Eliane Cerqueira

sábado, 19 de setembro de 2009

Consumismo e dores humanas.;

O consumismo é que tem determinado as ações do homem na atualidade.
Os valores são tecidos em função do TER.
Ter os objetos de desejo determinados pela grife e não pela funcionalidade.
Ter o corpo esculturado, tal obra de talentoso artesão, que nesse caso é o cirurgião plástico.
A busca por esses “bens” faz com que o homem ignore os valores éticos e perca, a cada dia, o sentimento de pertencimento à sua cultura e à sua família.
Uma sociedade de pessoas infelizes, stressadas e sem norte é que se desenha atualmente.
Muitas dores são tecidas pelas tramas do consumismo.
Mas onde está a felicidade? Buscá-la entre os equívocos da vaidade é caminhar para o vazio de nós mesmos. Ser feliz pode ser opção inteligente se acordarmos para os valores essenciais da existência humana.

Rosa Maria Olimpio

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Palavras que tecem o bem e o mal!!!

O dom da comunicação é uma dádiva e como tantos e tantos atributos pode ser usado para o bem e para o mal. No diálogo Fedro, Platão dizia que a linguagem é um pharmakon. Esta palavra grega, que em português se traduz por poção, possui três sentidos principais: remédio, veneno e cosmético.
Platão considerava que a linguagem pode ser um medicamento ou um remédio para o conhecimento, pois, pelo diálogo e pela comunicação, conseguimos descobrir nossa ignorância e aprender com os outros, ajudamos, curamos, resolvemos.
Pode, porém, ser um veneno quando, pela sedução das palavras, nos faz aceitar, fascinados, o que vimos ou lemos, sem que indaguemos se tais palavras são verdadeiras ou falsas.
Enfim, a linguagem pode ser cosmético, maquiagem ou máscara para dissimular ou ocultar a verdade sob as palavras. Como cosmético tenho um exemplo claro e atual: os políticos. É quando mascaramos as situações / fatos / acontecimentos para torná-los mais "bonitos". Sabe quando os discursos políticos nos enganam, fingindo fazer algo impossível (como prometer salário mínimo de mais de mil reais)? Pois é bem isso aí mesmo. É quando usamos a ironia - não para ofender - mas para enganar. Pra que serve um cosmético? Para embelezar, melhorar, aprimorar. E é assim mesmo que a palavra usada como cosmético funciona.
Na abertura da sua obra Política, Aristóteles afirma que somente o homem é um "animal político", isto é, social e cívico, porque somente ele é dotado de linguagem. Só temos uma sociedade e cultura graças à comunicação. Ela é quem nos fez gerar relações sociais. Através da linguagem verbal e não verbal. E por ser de extrema importância que podemos perceber que é um claro instrumento de dominação.
Na época da colonização, um modo da metrópole efetivar sua dominação era impondo a língua-pátria. No Brasil não foi diferente. Inclusive, a primeira atitude de dominação pela linguagem foi através do Marquês de Pombal, em 1877, quando proibiu o ensino de qualquer língua, em todo território nacional, que não fosse o português. Isso porque as línguas mais faladas em nosso país era o tupi e o tupinambá. Nos EUA temos um exemplo interessante, após a independência, foi criado o dicionário de inglês americano, para se diferenciar da Inglaterra, sua antiga metrópole.
Mas, até hoje temos casos claros e explícitos de dominação. Uma delas é através do pedantismo. Pedantismo. Sempre achei essa uma palavra feia. Feia mesmo. Pe-dan-tis-mo, o significado também o é. Ao utilizar palavra rebuscadas, expressões complexas e inclusive em outro idioma - o que se difere de estrangeirismos -, faz-se valer de uma cultura de dominação pelo saber: "eu sei mais que você", "eu tenho mais estudos", e por aí vai. Não que eu defenda ser simplório. Longe disso. Apenas devemos refletir sobre ser conveniente ou não. Para que ser rebuscado entre pessoas humildes e sem tanto conhecimento?
Esse rebuscamento sem precisão também incide sobre o profissionalismo. Imagine uma conversa informal com um médico que somente use termos técnicos que não sejam de fácil compreensão? Seria perfeito em uma convenção médica, mas informalmente deixa a desejar. Sem contar a má impressão. E há muitos casos assim. Diversos profissionais se utilizam dessas expressões técnicas para se impor, para se mostrar, chamar atenção. E isso também é um modo de dominar, de oprimir.
A comunicação é realmente uma dádiva. Ela pode ser remédio, veneno, cosmético, de acordo com seu falante - e também de seu ouvinte. A oratória faz culminar amores, desprezo, desilusões. Tudo com simples palavras. Mas, você é quem escolhe como serão suas palavras. Remédio, veneno, cosmético ou dominação?

Texto de Luciano Ribeiro



Parte das idéias desse texto se encontram no artigo de Marilena Chaui "Convite à Filosofia".

Encontro Adiado! Aos capixabas...

Caros formadores,

Nosso encontro dar-se-á de 05 a 09 de outubro de 2009.
Guardem as orientações que lhes enviei e preparem-se para termos um "Seminário de Acompanhamento" marcado pelo compromisso e pela competência de cada um. juntando as competências vamos tecer juntos um trabalho de SUCESSO!
Meu afeto e meu respeito!
Rosa Maria

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

questões pedagógicas

Queridos formadores,

Caso encontrem algum problema relativo ao cadastro ou aos procedimentos referentes às bolsas, peço-lhes que entrem em contato com gestar@unb.br . e se problema estiver relacionado ao sistema falem com o Prof. Guy guy@unb.mat.br . Nós formadores, ou o coordenador, Prof. Dioney, não temos acesso ao sistema, nem informações detalhadas a esse respeito.
Mas sempre que a dúvida for de ordem pedagógica não deixem de entrar em contato comigo. Se eu não puder responder, encaminharei ao Prof. Dioney que responderá com a atenção de sempre.
Abraços

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Meus amados formadores!

A primavera se aproxima entre chuvas, sol, lágrimas e risos.
Assim é a vida!
Conto os dias para revê-los!
Enquanto aguardamos as flores coloridas e perfumadas que hão de florescer ao longo do caminho, vamos semeando conhecimento,entusiasmo, confiança e afeto.
Confiemos no broto e na terra fértil!
Grande abraço!
Rosa Maria

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Aos formadores capixabas!

2ª ETAPA de formação
Olá Pessoal,

Estamos nos aproximando da segunda etapa de formação, para isso pedirei para que se preparem para o nosso encontro.

Preciso que levem:

1 - Alguns portifólios dos professores cursistas para podermos fazer a nossa socialização de experiências; Nâo precisa ser todos, leve por amostragem, um quantitativo que represente a sua turma. Faça a sua escolha pensando naqueles professores que conseguiram fazer uma discussão aproximada da realidade da sala de aula.


2 - As TPs 1, 2 e 6

3 - Levem os planejamentos de vocês e alguma atividade que fizeram para socializar, pois todas as novas idéias são bem-vindas.

4 - Levem as idéias dos projetos que estão sendo construídos, levem também as dúvidas a respeito dos projetos. Levem o material que vocês utilizaram para fazer as oficinas sobre projetos para podermos trocar materiais e idéias.


Um grande abraço,
Rosa Maria

Nos encontraremos na chegada da primavera!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Avaliação Diagnóstica

Meus amados,

Repasso e-mail de Dioney para esclarecimentos!
Meu afeto,
Rosa Maria



A avaliação diagnóstica não será aplicada para posterior envio de resultados ao MEC. Ela é um instrumento do professor em sua sala de aula. Os seus resultados serão computados pelo próprio professor e, a partir deles, esse professor terá condições de saber que tipo de habilidade o seu aluno ainda não possui. Mais que isso, no caderno de orientações, que a senhora receberá até fins de setembro provavelmente, haverá um conjunto de orientações sobre cada questão, cada item, cada erro, cada acerto, de modo que o professor poderá usar o próprio material do gestar para atingir melhores resultados.
Neste momento, o professor pode (não é obrigado, portanto) aplicar a avaliação diagnóstica em suas turmas e contabilizar os acertos e erros mais comuns. Depois, após receber o caderno, poderá interpretar melhor os resultados e tomar atitudes que favoreçam o crescimento dos seus alunos.
Enfatizo que essa avaliação não tem caráter obrigatório e nem classificatório ou algo do gênero. É um instrumento do professor e de sua sala de aula apenas.
Um cordial abraço,

Prof. Dr. Dioney Gomes
Coordenador Nacional Gestar II - Língua Portuguesa

terça-feira, 1 de setembro de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

domingo, 23 de agosto de 2009

Autores de Linguagem

Amados,

Meus companheiros "Autores de linguagem" sugiro que postem em nosso blog as fotos "da turma", as atividades desenvolvidas e coloquem no layout uma foto que caracterize o belíssimo estado de Mato Grosso do Sul!!!

Rosa Maria Olimpio

vida maria

quarta-feira, 29 de julho de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

GESTAR: Pensando a Prática Pedagógica

O Gestar é um programa que está se concretizando porque conta com uma equipe integrada e que partilha dos mesmos propósitos. A começar pelo Ministro da Educação e seus cooperadores no MEC. Como parceira, a UnB, coloca a serviço da formação continuada sua equipe de formadores e gestores. Embora se complementem, e todas contribuam para o êxito do programa, cada área tem a sua especificidade.

O Prof Dioney Moreira Gomes é o Coordenador Nacional do GESTAR de Língua Portuguesa, responsável pela parte pedagógica desse programa.
Exerce sua função com seriedade e ética. E o que mais importante: incentiva e valoriza o trabalho do formador.
Às vezes o trabalho dele é confundido com as questões administrativas que não é a esfera de competência dele, por isso, muitas mensagens que nos chegam nesse sentido são repassadas àqueles que podem esclarecer as questões colocadas, no seu âmbito de atuação e não a ele.
Assim sendo, é necessário lançarmos nosso olhar para as questões pertinentes ao sucesso do GESTAR em seu objetivo: chegar ao aluno e transformar os rumos da educação, destacando a autonomia de seus agentes nesse processo. Nesse aspecto temos total apoio do nosso coordenador.
Contudo, sabemos que o objetivo só será alcançado com o trabalho dos formadores locais e dos professores cursistas.
Nosso agradecimento ao apoio do Professor Dioney, que tem dado todo o suporte pedagógico necessário à consecução de nossa tarefa e nosso agradecimento a cada formador que tem desempenhado seu papel de educador com criatividade e sensibilidade.

Rosa Maria

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Queridas Formadores

Vejam as palavras da professora Aya sobre o trabalho dos formadores.
Leiam e sintam a importância do papel de vocês no GESTAR.
Meu abraço,
Rosa

GRANDES CONQUISTAS

GRANDES CONQUISTAS


Olá Giuvana,

Tenho acompanhado atentamente os seus relatos e estou feliz com os resultados. Isso me tranquiliza porque confirma que o Gestar está acontecendo da forma como deve ser, na e pela autonomia de formadores, cursistas e alunos. Isso reflete na participação, no entusiasmo, no dinamismo e na alegria de partilhar saberes que andavam sumidos do ambiente escolar.
É isso mesmo, minha querida formadora, saber que vocês estão caminhando com alegria e com autonomia em seus municípios, extrapolando o que vimos na semana de formação inicial e permitindo que a criatividade e a criticidade se sobreponham às sugestões dos TPs é sinal de que toda a riqueza de material apresentada por esses cadernos, com as atividades suplementares das formações não estão sendo entendidas como mais um tipo de livro didático a ser seguido rigorosamente de forma linear. Isso é gestar a educação, é fazer o novo a cada dia, é não se limitar pelas escolhas pedagógicas do sistema engessado. Gestar a autonomia, gestar a criatividade, gestar as inúmeras possibilidades do trabalho com a linguagem que acontece a cada momento, e que não está amarrada nos compêndios didáticos, é mudar a educação.
Estou feliz, e o entusiasmo de vocês em SC me contagia a cada vez que abro a caixa de mensagens e recebo as informações que vêm daí.
Esse colorido do qual você fala, refletido também no depoimento dos cursistas é fruto de seu trabalho, de sua dedicação tanto na semana presencial quanto no desenvolvimento do seu plano com os cursistas e nos prova que o Gestar não acontece no MEC e na UNB de forma burocrática, mas é no microcosmos da sala de aula, com os atores mais importantes desse ato: professor e aluno. E essa cadeia que se inicia com a elaboração das políticas educacionais para o ensino de Língua Materna, no MEC, com a implantação, desenvolvimento e acompanhamento do programa, na UNB, só terá êxito se de fato for implementada e vivenciada no universo mágico que é a sala de aula. È lá que o Gestar acontece. Parabéns a todos vocês.

Um grande abraço,

Aya

domingo, 5 de julho de 2009

Manuel Bandeira

CANTIGA

Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.

Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d'alva
Rainha do mar.

Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.

Manuel Bandeira

Cecília Meireles

CANÇÃO DA TARDE NO CAMPO

Cecília Meirelles



Caminho do campo verde
estrada depois de estrada.
Cercas de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a flor é minha.

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua;
vou chegando, vai fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.

De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto,
meu peito é puro deserto.
Subo monte, desço monte,

Eu ando sozinha
ao longo da noite,
Mas a estrela é minha

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Atividade a partir do poema TANGO

GESTAR: DESENHANDO DESTINOS

Meus queridos,

Acordei em mim a palavra saber e a trouxe para dar de
presente a vocês.
Saber faz-me pensar em sábio, sabedoria, vivência...
Saber não está contido somente nos livros ou na escola.
Saber se acumula! (Não gostei dessa palavra.) Acumular parece algo difícil de carregar, pesado.
Saber é flor que colore a vida vai virando frutos e os frutos se multiplicam, amadurecem, ficam doces, saborosos.
Saber e sabor confundem-se com o riso, com a lágrima, com o nascer do sol, com o pôr do sol...
Saber é sabor de beijo, de desejo. Saber e sabor se descobrem no luar, na chuva, no frio, no desafio.
Saber não pode ser fechado no quarto escuro da vaidade ou do egoísmo. O saber deve servir para fazer o sábio mais feliz e que sabiamente, ele possa fazer o outro mais feliz.
Meus sábios e queridos educadores, essa palavra que acordei em mim e entreguei as vocês, deseja encontrar abrigo em outros corações. Os sábios florescem caminhos, desenham destinos.
Meus amados, acordem em vocês outras tantas palavras e caminhem presenteando pessoas ao longo do caminho. Palavras que cruzem rios, mares e cheguem ao lugar mais nobre e sublime a que se pode chegar: na alma, na vida das nossas crianças e de nossos jovens.
É esse o objetivo do GESTAR.. Cada um de vocês é portador da palavra que há de transformar o destino e desenhar novos caminhos e novos jeitos de caminhar das crianças e dos jovens de nosso país.

Meu afeto,

Rosa Maria Olímpio

Brasília, primavera de 2009.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

MEMORIAL

O que chamamos de amor





" O diamante se constrói
quando o procuramos juntos
no meio da nossa vida
e cresce, límpido, cresce,
na intenção de repartir
o que chamamos de amor."



Thiago de Mello

Um Poema de SARAMAGO

Intimidade

No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.

José Saramago

domingo, 28 de junho de 2009

Uma leitura de minha infância

O meu pé de laranja lima
José Mauro de Vasconcelos

Uma história triste

É um livro extremamente marcante, comovente e triste. Marcante pela ironia da sua história, comovente pela simplicidade transmitida e com que é escrito e triste pela dor e pelas perdas retratadas. Um livro que eu gostei de ler e que pela sua simplicidade e frontalidade me transmitiu a sua mensagem e sentimentos imiscuídos de uma forma subtil e profunda. Com uma mescla de turbulentas emoções e pequenas conquistas e vitórias, vividas pelas personagens, que vêm ao rubro de forma simples e eloquente em cada palavra, eu senti-me como se também eu participasse na história. Neste livro o mais importante não é os grandes feitos ou qualquer outro acto considerado por nós, na nossa cegueira e egocentrismo, digno e merecedor de importância, mas sim, as pequenas coisas, que no fundo acabam por ser as mais bonitas e importantes; as pequenas vitórias; a dor e a conquista, do mundo real e da vida real, que acabam por ter uma fantasia mais doce e bonita e um misticismo mais profundo, do que as grandes lendas ou histórias, apenas pelo que são.
José Mauro de Vasconcelos conta-nos a história de um menino chamado Zézé, com seis anos, pobre, extremamente inteligente, sensível e carente. Não encontrando na família e nas pessoas a ternura e o afecto de que necessita, Zézé entrega o seu amor às pequenas coisas, mas em especial a Xuxuruca ou Minguinho, o seu pé de Laranja Lima, que se torna o seu grande confessor, amigo e companheiro de brincadeiras. Com Minguinho, Zézé protege-se do mundo real com uma barreira feita de brincadeiras, canções e da doce ilusão da inocência.
Numa tentativa de despertar as pessoas que o rodeiam para a sua presença, ele sai para a rua fazendo asneiras e pregando partidas, o que tem como consequência as enormes e tradicionais "zurras" de que infelizmente é alvo. Zézé vive uma vida triste e pobre, onde consegue encontar a sua luz e felicidade através do seu enorme coração e capacidade para amar e perdoar. Mas este Mundo está prestes a mudar. Zézé acaba por descobrir a ternura e carinho de que tanto necessita com o seu amigo "Portuga", que torna a sua existência agradávell e feliz. No entanto... a história de Zezé é recheada de ironia... Quando finalmente o seu pai volta a ter um emprego capaz de lhe proporcionar uma vida confortável e estável, perde também os seus dois grandes centros e geradores de ternura e felicidade. Zézé descobre o que é a dor da perda e da saudade, perdendo assim também a sua inocência e capacidade de se abstrair do Mundo através de brincadeiras, histórias e pequeninas crenças. "Por que contam coisas às criancinhas?".

sábado, 27 de junho de 2009

Livro do Desassossego

Fragmento 204 - Livro do Desassossego - Fernando Pessoa in Bernardo Soares
imagem: Luis Lobo Henriques




Nuvens... Hoje tenho consciência do céu, pois há dias em que o não olho mas sinto, vivendo na cidade e não na natureza que a inclui. Nuvens... São elas hoje a principal realidade, e preocupam-me como se o velar do céu fosse um dos grandes perigos do meu destino. Nuvens... Passam da barra para o Castelo, de ocidente para oriente, num tumulto disperso e despido, branco às vezes, se vão esfarrapadas na vanguarda de não sei quê; meio-negro outras, se, mais lentas, tardam em ser varridas pelo vento audível; negras de um branco sujo, se, como se quisessem ficar, enegrecem mais da vinda que da sombra o que as ruas abrem de falso espaço entre as linhas fechadoras da casaria.


Nuvens... Existo sem que o saiba e morrerei sem que o queira. Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou, entre o que sonho e o que a vida fez de mim, a média abstracta e carnal entre coisas que não são nada, sendo eu nada também. Nuvens... Que desassossego se sinto, que desconforto se penso, que inutilidade se quero! Nuvens... Estão passando sempre, umas muito grandes, parecendo, porque as casas não deixam ver se são menos grandes que parecem, que vão a tomar todo o céu; outras de tamanho incerto, podendo ser duas juntas ou uma que se vai partir em duas, sem sentido no ar alto contra o céu fatigado; outras ainda, pequenas, parecendo brinquedos de poderosas coisas, bolas irregulares de um jogo absurdo, só para um lado, num grande isolamento, frias.


Nuvens... Interrogo-me e desconheço-me. Nada tenho feito de útil nem farei de justificável. Tenho gasto a parte da vida que não perdi em interpretar confusamente coisa nenhuma, fazendo versos em prosa às sensações intransmissíveis com que torno meu o universo incógnito. Estou farto de mim, objectiva e subjectivamente. Estou farto de tudo, e do tudo de tudo. Nuvens... São tudo, desmanchamentos do alto, coisas hoje só elas reais entre a terra nula e o céu que não existe; farrapos indescritíveis do tédio que lhes imponho; névoa condensada em ameaças de cor ausente; algodões de rama sujos de um hospital sem paredes. Nuvens... São como eu, uma passagem desfeita entre o céu e a terra, ao sabor de um impulso invisível, trovejando ou não trovejando, alegrando brancas ou escurecendo negras, ficções do intervalo e do descaminho, longe do ruído da terra e sem ter o silêncio do céu. Nuvens... Continuam passando, continuam sempre passando, passarão sempre continuando, num enrolamento descontínuo de meadas baças, num alongamento difuso de falso céu desfeito.

VINICIUS ETERNO

" Eu ainda sou tão moça pra tanta tristeza

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A COISA MAIS FINA DO MUNDO...

A coisa mais fina do mundo

Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou o pão, deixou tacho no fogão com água quente.
Não me falou de amor.
Essa palavra de luxo.

Adélia Prado

Um poema que eu gosto...

“O poeta ficou cansado” de Adélia Prado

O poeta ficou cansado

Pois não quero mais ser
Teu arauto.
Já que todos têm voz,
por que só eu devo tomar navios
de rota que não escolhi?
Por que não gritas, Tu mesmo,
a miraculosa trama dos teares,
já que Tua voz reboa
nos quatro cantos do mundo?
Tudo progrediu na Terra
e insistes em caixeiros-viajantes
de porta em porta, a cavalo!
Olha aqui, cidadão,
repara, minha senhora,
neste canivete mágico:
corta, saca e fura,
é um faqueiro completo!
Ó Deus,
me deixa trabalhar na cozinha,
nem vendedor nem escrivão,
me deixa fazer Teu pão.
Filha, diz-me o Senhor,
eu só como palavras.
(Adélia Prado, Oráculos de maio)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sobre o Filme: FALE COM ELA

No seu primeiro filme do novo milênio, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar nos traz uma nova obra sobre relacionamentos entre homens e mulheres, vistos principalmente do ângulo feminino. Porém, a diferença aqui é que as mulheres que protagonizam Fale com Ela estão em estado de coma, na cama de um hospital. O último filme do diretor, Tudo Sobre Minha Mãe – referência ao clássico A Malvada (Tudo Sobre Eva, no original em inglês) – foi homenageado com inúmeros prêmios ao redor do mundo, incluindo aí um Oscar de melhor filme estrangeiro. O tema central permanece – relacionamentos – porém Fale com Ela é um filme totalmente diferente, não em relação ao último do diretor, como também é um dos filmes mais originais do ano.

Temos Benigno e Marco, dois desconhecidos que acabam virando amigos em decorrência do destino: enquanto esperam com toda a esperança possível as mulheres por quem são apaixonados, – Alicia e Lydia – saírem do estado de coma do hospital, acabam tendo uma afinidade muito grande. O interessante disso é que Benigno e Marco, enquanto amigos, possuem idéias bastante distintas em se tratando de suas amadas: Benigno possue uma espécie de amor platônico por Alicia, pois apaixonou-se sem ter tido tempo de ser correspondido, antes do acidente dela; Marco, em contrapartida, após o acidente, não consegue definir muito bem seus sentimentos com relação a Lydia, e tem dificuldades de lidar com ela na cama do hospital. Ambos só podem fazer uma coisa enquanto esperam: falar com elas...

Outro ponto interessante é o fato de, embora serem dois homens os protagonistas, o enredo ser centrado nas duas mulheres em coma. Fale com Ela desenvolve sua história através de flashbacks, mostrando as duas mulheres ainda quando fora do hospital. O filme logo avança para um ponto inesperado, e algumas reviravoltas acontecem com os dois homens. Não cabe aqui dizer muito mais, pois isso estragaria um pouco as surpresas, e é muito melhor saborear a história por você mesmo. Mas é apenas importante ressaltar que o roteiro é muito bem desenvolvido, alterando momentos emocionantes (com o uso da música, da qual será falado logo em seguida), com alguns momentos leves e engraçados. Almodóvar ousa e coloca, inclusive, um filme mudo em preto-e-branco (fictício, é bom dizer) de sete minutos dentro do filme principal, que altera, positivamente, o ritmo do filme. É algo também inesperado e que funciona muito bem, para esquecermos momentaneamente o drama dos personagens principais.

A história é bastante forte, porém Almodóvar tem todo o controle do filme e trata de assuntos como estupro, desejo e morte com a habilidade de um cineasta experiente e, porque não dizer, gênio. Em relação à originalidade citada logo no início, não há como descrevê-la, senão vendo o filme por si mesmo. É uma mistura de fotografia diferenciada (porém sem usar nenhuma técnica nova), com a própria história, as imagens (o filme mostra uma tourada belíssima), tudo em conjunto com a música... ah, a música! O filme ganha ainda mais força com o uso dela. Destaque aqui para o Brasil, com a participação especial de Caetano Veloso cantando em espanhol uma versão da música Cucurrucucu Paloma, que funciona não só para a platéia como para os personagens do filme, que emocionam-se enquanto ouvem. Além disso, há outras referências bem explícitas ao Brasil. Novamente, recomendo a você mesmo assistir para descobrir o que acontece.

Fale com Ela, mesmo não sendo uma obra-prima (embora original, a história não deixa de apresentar alguns poucos clichês), prova mais uma vez que o cinema latino está em franca expansão, em termos de idéias e qualidade, deixando o cinema norte-americano para trás em termos de roteiros e personagens. Uma generalização perigosa, mas que é bastante evidente nos últimos dois anos, com sucessos como Amores Brutos, E a Sua Mãe Também, Cidade de Deus, e Fale com Ela, que são filmes deliciosos e inesquecíveis.

terça-feira, 23 de junho de 2009

CONTO

VENHA VER O PÔR DO SOL

Lygia Fagundes Telles

ELA SUBIU sem pressa a tortuosa ladeira. À medida que avançava, as casas iam rareando, modestas casas espalhadas sem simetria e ilhadas em terrenos baldios. No meio da rua sem calçamento, coberta aqui e ali por um mato rasteiro, algumas crianças brincavam de roda. A débil cantiga infantil era a única nota viva na quietude da tarde.
Ele a esperava encostado a uma árvore. Esguio e magro, metido num largo blusão azul-marinho, cabelos crescidos e desalinhados, tinham um jeito jovial de estudante.
- Minha querida Raquel.
Ela encarou-o, séria. E olhou para os próprios sapatos.
- Vejam que lama. Só mesmo você inventaria um encontro num lugar destes. Que idéia, Ricardo, que idéia! Tive que descer do taxi lá longe, jamais ele chegaria aqui em cima
Ele sorriu entre malicioso e ingênuo.
- Jamais, não é? Pensei que viesse vestida esportivamente e agora me aparece nessa elegância...Quando você andava comigo, usava uns sapatões de sete-léguas, lembra?
- Foi para falar sobre isso que você me fez subir até aqui? - perguntou ela, guardando as luvas na bolsa. Tirou um cigarro. - Hem?!
- Ah, Raquel... - e ele tomou-a pelo braço rindo.
- Você está uma coisa de linda. E fuma agora uns cigarrinhos pilantras, azul e dourado...Juro que eu tinha que ver uma vez toda essa beleza, sentir esse perfume. Então fiz mal?
- Podia ter escolhido um outro lugar, não? – Abrandara a voz – E que é isso aí? Um cemitério?
Ele voltou-se para o velho muro arruinado. Indicou com o olhar o portão de ferro, carcomido pela ferrugem.
- Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo – acrescentou, lançando um olhar às crianças rodando na sua ciranda. Ela tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro. Sorriu. - Ricardo e suas idéias. E agora? Qual é o programa?
Brandamente ele a tomou pela cintura.
- Conheço bem tudo isso, minha gente está enterrada aí. Vamos entrar um instante e te mostrarei o pôr do sol mais lindo do mundo.
Perplexa, ela encarou-o um instante. E vergou a cabeça para trás numa risada.
- Ver o pôr do sol!...Ah, meu Deus...Fabuloso, fabuloso!...Me implora um último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longe para esta buraqueira, só mais uma vez, só mais uma! E para quê? Para ver o pôr do sol num cemitério...
Ele riu também, afetando encabulamento como um menino pilhado em falta.
- Raquel minha querida, não faça assim comigo. Você sabe que eu gostaria era de te levar ao meu apartamento, mas fiquei mais pobre ainda, como se isso fosse possível. Moro agora numa pensão horrenda, a dona é uma Medusa que vive espiando pelo buraco da fechadura...
- E você acha que eu iria?
- Não se zangue, sei que não iria, você está sendo fidelíssima. Então pensei, se pudéssemos conversar um instante numa rua afastada...- disse ele, aproximando-se mais. Acariciou-lhe o braço com as pontas dos dedos. Ficou sério. E aos poucos, inúmeras rugazinhas foram se formando em redor dos seus olhos ligeiramente apertados. Os leques de rugas se aprofundaram numa expressão astuta. Não era nesse instante tão jovem como aparentava. Mas logo sorriu e a rede de rugas desapareceu sem deixar vestígio. Voltou-lhe novamente o ar inexperiente e meio desatento –Você fez bem em vir.
- Quer dizer que o programa... E não podíamos tomar alguma coisa num bar?
- Estou sem dinheiro, meu anjo, vê se entende.
- Mas eu pago.
- Com o dinheiro dele? Prefiro beber formicida. Escolhi este passeio porque é de graça e muito decente, não pode haver passeio mais decente, não concorda comigo? Até romântico.
Ela olhou em redor. Puxou o braço que ele apertava.
- Foi um risco enorme Ricardo. Ele é ciumentíssimo. Está farto de saber que tive meus casos. Se nos pilha juntos, então sim, quero ver se alguma das suas fabulosas idéias vai me consertar a vida.
- Mas me lembrei deste lugar justamente porque não quero que você se arrisque, meu anjo. Não tem lugar mais discreto do que um cemitério abandonado, veja, completamente abandonado – prosseguiu ele, abrindo o portão. Os velhos gonzos gemeram. – Jamais seu amigo ou um amigo do seu amigo saberá que estivemos aqui.
- É um risco enorme, já disse . Não insista nessas brincadeiras, por favor. E se vem um enterro? Não suporto enterros.
- Mas enterro de quem? Raquel, Raquel, quantas vezes preciso repetir a mesma coisa?! Há séculos ninguém mais é enterrado aqui, acho que nem os ossos sobraram, que bobagem. Vem comigo, pode me dar o braço, não tenha medo...
O mato rasteiro dominava tudo. E, não satisfeito de ter se alastrado furioso pelos canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrando-se ávido pelos rachões dos mármores, invadira alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse com a sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios da morte. Foram andando vagarosamente pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas trituradas sobre os pedregulhos. Amuada mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Às vezes mostrava certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos medalhões de retratos esmaltados.
- É imenso, hem? E tão miserável, nunca vi um cemitério mais miserável, é deprimente – exclamou ela atirando a ponta do cigarro na direção de um anjinho de cabeça decepada.- Vamos embora, Ricardo, chega.
- Ah, Raquel, olha um pouco para esta tarde! Deprimente por quê? Não sei onde foi que eu li, a beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da tarde, está no crepúsculo, nesse meio-tom, nessa ambigüidade. Estou lhe dando um crepúsculo numa bandeja e você se queixa.
- Não gosto de cemitério, já disse. E ainda mais cemitério pobre.
Delicadamente ele beijou-lhe a mão.
- Você prometeu dar um fim de tarde a este seu escravo.
- É, mas fiz mal. Pode ser muito engraçado, mas não quero me arriscar mais.
- Ele é tão rico assim?
- Riquíssimo. Vai me levar agora numa viagem fabulosa até o Oriente. Já ouviu falar no Oriente? Vamos até o Oriente, meu caro...
Ele apanhou um pedregulho e fechou-o na mão. A pequenina rede de rugas voltou a se estender em redor dos seus olhos. A fisionomia, tão aberta e lisa, repentinamente escureceu, envelhecida. Mas logo o sorriso reapareceu e as rugazinhas sumiram.
- Eu também te levei um dia para passear de barco, lembra?
Recostando a cabeça no ombro do homem, ela retardou o passo.
- Sabe Ricardo, acho que você é mesmo tantã...Mas, apesar de tudo, tenho às vezes saudade daquele tempo. Que ano aquele! Palavra que, quando penso, não entendo até hoje como agüentei tanto, imagine um ano.
- É que você tinha lido A dama das Camélias, ficou assim toda frágil, toda sentimental. E agora? Que romance você está lendo agora. Hem?
- Nenhum - respondeu ela, franzindo os lábios. Deteve-se para ler a inscrição de uma laje despedaçada: - A minha querida esposa, eternas saudades - leu em voz baixa. Fez um muxoxo.- Pois sim. Durou pouco essa eternidade.
Ele atirou o pedregulho num canteiro ressequido.
Mas é esse abandono na morte que faz o encanto disto. Não se encontra mais a menor intervenção dos vivos, a estúpida intervenção dos vivos. Veja- disse, apontando uma sepultura fendida, a erva daninha brotando insólita de dentro da fenda -, o musgo já cobriu o nome na pedra. Por cima do musgo, ainda virão as raízes, depois as folhas...Esta a morte perfeita, nem lembrança, nem saudade, nem o nome sequer. Nem isso.
Ela aconchegou-se mais a ele. Bocejou.
- Está bem, mas agora vamos embora que já me diverti muito, faz tempo que não me divirto tanto, só mesmo um cara como você podia me fazer divertir assim – Deu-lhe um rápido beijo na face. - Chega Ricardo, quero ir embora.
- Mais alguns passos...
- Mas este cemitério não acaba mais, já andamos quilômetros! – Olhou para atrás. – Nunca andei tanto, Ricardo, vou ficar exausta.
- A boa vida te deixou preguiçosa. Que feio – lamentou ele, impelindo-a para frente. – Dobrando esta alameda, fica o jazigo da minha gente, é de lá que se vê o pôr do sol. – E, tomando-a pela cintura: - Sabe, Raquel, andei muitas vezes por aqui de mãos dadas com minha prima. Tínhamos então doze anos. Todos os domingos minha mãe vinha trazer flores e arrumar nossa capelinha onde já estava enterrado meu pai. Eu e minha priminha vínhamos com ela e ficávamos por aí, de mãos dadas, fazendo tantos planos. Agora as duas estão mortas.
- Sua prima também?
- Também. Morreu quando completou quinze anos. Não era propriamente bonita, mas tinha uns olhos...Eram assim verdes como os seus, parecidos com os seus. Extraordinário, Raquel, extraordinário como vocês duas...Penso agora que toda a beleza dela residia apenas nos olhos, assim meio oblíquos, como os seus.
- Vocês se amaram?
- Ela me amou. Foi a única criatura que...- Fez um gesto. – Enfim não tem importância.
Raquel tirou-lhe o cigarro, tragou e depois devolveu-o
- Eu gostei de você, Ricardo.
- E eu te amei. E te amo ainda. Percebe agora a diferença?
Um pássaro rompeu o cipreste e soltou um grito. Ela estremeceu.
- Esfriou, não? Vamos embora.
- Já chegamos, meu anjo. Aqui estão meus mortos.
Pararam diante de uma capelinha coberta de alto a baixo por uma trepadeira selvagem, que a envolvia num furioso abraço de cipós e folhas. A estreita porta rangeu quando ele a abriu de par em par. A luz invadiu um cubículo de paredes enegrecidas, cheias de estrias de antigas goteiras. No centro do cubículo, um altar meio desmantelado, coberto por uma toalha que adquirira a cor do tempo. Dois vasos de desbotada opalina ladeavam um tosco crucifixo de madeira. Entre os braços da cruz, uma aranha tecera dois triângulos de teias já rompidas, pendendo como farrapos de um manto que alguém colocara sobre os ombro do Cristo. Na parede lateral, à direita da porta, uma portinhola de ferro dando acesso para uma escada de pedra, descendo em caracol para a catacumba.
Ela entrou na ponta dos pés, evitando roçar mesmo de leve naqueles restos da capelinha.
- Que triste é isto, Ricardo. Nunca mais você esteve aqui?
Ele tocou na face da imagem recoberta de poeira. Sorriu melancólico.
- Sei que você gostaria de encontrar tudo limpinho, flores nos vasos, velas, sinais da minha dedicação, certo?
- Mas já disse que o que eu mais amo neste cemitério é precisamente esse abandono, esta solidão. As pontes com o outro mundo foram cortadas e aqui a morte se isolou total. Absoluta.
Ela adiantou-se e espiou através das enferrujadas barras de ferro da portinhola. Na semi-obscuridade do subsolo, os gavetões se estendiam ao longo das quatro paredes que formavam um estreito retângulo cinzento.
- E lá embaixo?
- Pois lá estão as gavetas. E, nas gavetas, minhas raízes. Pó, meu anjo, pó- murmurou ele. Abriu a portinhola e desceu a escada. Aproximou-se de uma gaveta no centro da parede, segurando firme na alça de bronze, como se fosse puxá-la. – A cômoda de pedra. Não é grandiosa?
Detendo-se no topo da escada, ela inclinou-se mais para ver melhor.
- Todas estas gavetas estão cheias?
- Cheias?...- Sorriu.- Só as que tem o retrato e a inscrição, está vendo? Nesta está o retrato da minha mãe, aqui ficou minha mãe- prosseguiu ele, tocando com as pontas dos dedos num medalhão esmaltado, embutido no centro da gaveta.
Ela cruzou os braços. Falou baixinho, um ligeiro tremor na voz.
- Vamos, Ricardo, vamos.
- Você está com medo?
- Claro que não, estou é com frio. Suba e vamos embora, estou com frio!
Ele não respondeu. Adiantara-se até um dos gavetões na parede oposta e acendeu um fósforo. Inclinou-se para o medalhão frouxamente iluminado:
- A priminha Maria Emília. Lembro-me até do dia em que tirou esse retrato. Foi umas duas semanas antes de morrer... Prendeu os cabelos com uma fita azul e vejo-a se exibir, estou bonita? Estou bonita?...- Falava agora consigo mesmo, doce e gravemente.- Não, não é que fosse bonita, mas os olhos...Venha ver, Raquel, é impressionante como tinha olhos iguais aos seus.
Ela desceu a escada, encolhendo-se para não esbarrar em nada.
- Que frio que faz aqui. E que escuro, não estou enxergando...
Acendendo outro fósforo, ele ofereceu-o à companheira.
- Pegue, dá para ver muito bem...- Afastou-se para o lado.- Repare nos olhos.
- Mas estão tão desbotados, mal se vê que é uma moça...- Antes da chama se apagar, aproximou-a da inscrição feita na pedra. Leu em voz alta, lentamente.- Maria Emília, nascida em vinte de maio de mil oitocentos e falecida...- Deixou cair o palito e ficou um instante imóvel – Mas esta não podia ser sua namorada, morreu há mais de cem anos! Seu menti...
Um baque metálico decepou-lhe a palavra pelo meio. Olhou em redor. A peça estava deserta. Voltou o olhar para a escada. No topo, Ricardo a observava por detrás da portinhola fechada. Tinha seu sorriso meio inocente, meio malicioso.
- Isto nunca foi o jazigo da sua família, seu mentiroso? Brincadeira mais cretina! – exclamou ela, subindo rapidamente a escada. – Não tem graça nenhuma, ouviu?
Ele esperou que ela chegasse quase a tocar o trinco da portinhola de ferro. Então deu uma volta à chave, arrancou-a da fechadura e saltou para trás.
- Ricardo, abre isto imediatamente! Vamos, imediatamente! – ordenou, torcendo o trinco.- Detesto esse tipo de brincadeira, você sabe disso. Seu idiota! É no que dá seguir a cabeça de um idiota desses. Brincadeira mais estúpida!
- Uma réstia de sol vai entrar pela frincha da porta, tem uma frincha na porta. Depois, vai se afastando devagarinho, bem devagarinho. Você terá o pôr do sol mais belo do mundo.
Ela sacudia a portinhola.
- Ricardo, chega, já disse! Chega! Abre imediatamente, imediatamente!- Sacudiu a portinhola com mais força ainda, agarrou-se a ela, dependurando-se por entre as grades. Ficou ofegante, os olhos cheios de lágrimas. Ensaiou um sorriso. - Ouça, meu bem, foi engraçadíssimo, mas agora preciso ir mesmo, vamos, abra...
Ele já não sorria. Estava sério, os olhos diminuídos. Em redor deles, reapareceram as rugazinhas abertas em leque.
- Boa noite, Raquel.
- Chega, Ricardo! Você vai me pagar!... - gritou ela, estendendo os braços por entre as grades, tentando agarrá-lo.- Cretino! Me dá a chave desta porcaria, vamos!- exigiu, examinando a fechadura nova em folha. Examinou em seguida as grades cobertas por uma crosta de ferrugem. Imobilizou-se. Foi erguendo o olhar até a chave que ele balançava pela argola, como um pêndulo. Encarou-o, apertando contra a grade a face sem cor. Esbugalhou os olhos num espasmo e amoleceu o corpo. Foi escorregando.
- Não, não...
Voltado ainda para ela, ele chegara até a porta e abriu os braços. Foi puxando as duas folhas escancaradas.
- Boa noite, meu anjo.
Os lábios dela se pregavam um ao outro, como se entre eles houvesse cola. Os olhos rodavam pesadamente numa expressão embrutecida.
- Não...
Guardando a chave no bolso, ele retomou o caminho percorrido. No breve silêncio, o som dos pedregulhos se entrechocando úmidos sob seus sapatos. E, de repente, o grito medonho, inumano:
- NÃO!
Durante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo estraçalhado. Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria agora qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda